quinta-feira, agosto 11, 2011

Dylan Dog e as Criaturas da Noite



Dylan Dog: Dead of Night
Kevin Munroe
EUA, 2010
107 min.

Baseado em uma inteligente, original e longeva série de quadrinhos italianos, “Dylan Dog e as Criaturas da Noite”, que estreia nesta sexta (12), é constrangedoramente ruim. Não apenas pela distância que parece manter dos quadrinhos originais de reconhecida qualidade, mas também como objeto isolado.

Na história, Dylan Dog (Brandon routh) é um detetive que investigava crimes cometidos por criaturas sobrenaturais, como vampiros, lobisomens e mortos-vivos. Atuando no submudo dessas criaturas, que vivem entre nós sob disfarces de “normalidade”, Dylan é uma espécie de xerife desse mundo. Mas ele se aposentou, depois de perder alguém especial e se vingar de forma implacável. Contudo, terá de voltar à ativa quando, depois de algumas mortes, percebe que uma trama sombria pode levar a uma guerra entre as criaturas.

Ao lado do parceiro Marcus (Sam Huntington), começa uma investigação. Para obter informações, visita algumas pessoas influentes e bem informadas do submundo dos monstros. Enquanto tenta montar o quebra-cabeça de uma conspiração para dominar todas as criaturas, enfrenta algumas.

O filme é uma sequencia de cenas de investigação, no estilo detetive, com narração em off do investigador e figuras do submundo da noite. A tentativa de parecer um filme noir não passa de uma emulação clichê. Brandon Routh é incapaz de parecer alguém durão o suficiente para o trabalho que excuta.

O roteiro é feito de remendo em remendo, levando a história adiante sem grandes dificuldades para além de uma surra aqui e outra ali. Nesses confrontos, raramente Dylan parece ser alguém pronto para o trabalho sujo, mais apanhando que batendo. Mesmo assim, nunca parece correr perigo de verdade. As pistas que coleciona e as explicações que encontra não são fruto de dedução, mas uma série de explicações dadas por personagens secundários de forma vergonhosamente didática. Tudo muito fácil.

Contudo, o que mais impressiona no filme é a atuação de Brandon Routh. Ele está simplesmente péssimo. Não que já tenha estado bem em algum outro filme, mas dessa vez ele parece o mais raso dos atores em atividade em Hollywood. Sua interpretação é tão destituída de qualquer nuance de expressão ou gestual, que chega a ser constrangedor. Ao longo do filme ele desfila uma meia-dúzia de olhares e feições que em momento algum condizem com a situação do momento. Não dá nem para dizer que está atuando no piloto automático. Simplesmente não está atuando, no máximo dizendo suas falas enquanto pensa em outra coisa.

Contribui para o péssimo filme uma produção vergonhosa em termos de maquiagem e efeitos especiais, além de um desfecho casual e sem emoção. A sequência que deveria ser o clímax do filme acaba se resolvendo de forma sucinta sem nenhum desafio para o protagonista.

“Dylan Dog e as Criaturas da Noite” fica entre os piores filmes do ano. Uma história esvaziada de qualquer emoção ou aventura, uma trama mal trabalhada e infantil, uma atuação de causar vergonha. Diante dos excelentes quadrinhos em que foi inspirado, um filme para ser esquecido.
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quarta-feira, agosto 10, 2011

Tudo Estará Bem




Alting Bliver Godt Igen
Christoffer Boe
Dinamarca/Suécia/França, 2010
98 min.

O diretor dinamarquês Christoffer Boe, que em 2003 venceu o Camera D’or do Festival de Cannes (que premia diretores iniciantes) com o drama “Reconstrução de um Amor”, investe agora num thriller psicológico de paranoia e perseguição. O filme entra e cartaz na próxima sexta (12), no Rio de Janeiro.

Jacob Falk (Jens Albinus) é um roteirista de cinema que não está conseguindo escrever. Sofrendo forte pressão do estúdio para cumprir um prazo que se esgota, sente-se profundamente angustiado. Casado, sofre ainda a cobrança da esposa para que consiga os papeis para a adoção de uma criança, sonho antigo do casal, muito perto de se realizar.

Em uma trama paralela, conhecemos o jovem dinamarquês Ali (Igor Radosavljevic) um descendente de árabes que foi convidado pelas forças armadas da Dinamarca para servir de intérprete no Iraque. Ao voltar do serviço militar trás consigo, escondido na bagagem, fotos de prisioneiros de guerra sendo torturados por oficiais dinamarqueses. Vigiado por homens do governo, tenta não ser pego com as fotos.

Um acidente fará com que Ali e Jacob se cruzem de maneira inesperada e Jacob acabará ficando com as fotos. Começa aí a paranoia do roteirista que, ao tentar divulgar as fotos pela imprensa, suspeitará de uma grande rede conspiratória para impedi-lo. Temendo por sua vida e pela vida da esposa, ele passa a suspeitar de todos ao seu redor.

O filme segue a cartilha do gênero para filmes de paranoia conspiratória, quando é preciso alcançar basicamente dois efeitos para que seja eficiente: deixar o expectador inseguro quanto ao que é real e o que pode ser paranoia nas suspeitas do personagem; e criar uma atmosfera de perigo iminente o tempo todo.

Na condução da trama, Boe consegue realizar muito bem o primeiro efeito. Envolver-se em uma trama conspiratória, escrever às pressas um roteiro de filme e ainda adotar uma criança, resulta em uma mistura estressante e sufocante para a vida do personagem. Sob tanta pressão, tudo pode se confundir na percepção que Jacob passa a ter da realidade e com isso o expectador sente-se inseguro em identificar o que é real e o que é paranoia do personagem. Não há certezas e nessa atmosfera o filme funciona bem.

Contudo, o filme falha muito na construção do segundo efeito, o de perigo iminente. Não se tem, em momento algum, a sensação de perigo real para Jacob, que mais parece fugir de si mesmo e de seus conflitos. A trama e o suspense não são suficientes para nos deixar tensos com a possibilidade de perigo, embora ele exista no contexto da trama. Esse ponto fraco desequilibra o filme e o deixa morno, apesar das incertezas que o roteiro cria. Essas incertezas não são suficientes para nos manter tensos, como dita a regra do gênero.

O resultado final é uma promessa de suspense e tensão ensaiada no início do filme que não se cumpre no seu desenrolar. A coisa fica pior quando finamente temos a revelação do que realmente está acontecendo. Para isso, o filme usa o recurso desgastado do flashback explicativo. Artifício tido como muleta narrativa por si só, nesse caso há ainda o agravante de sua duração muito longa, quebrando completamente o ritmo do filme e fazendo seu desfecho ser menos intenso que seu início. Falta ao filme criatividade e timing narrativo para realizar com competência o que se propõe: uma trama de suspense e tensão. Fica no meio do caminho.
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Festival de Cinema Turco



Só podemos falar do que conhecemos. E nos dias de hoje, não é difícil conhecer as coisas. Sempre me irrito quando algum desavisado vem me dizer que o cinema nacional não presta ou que filme iraniano é tudo chato. São estereótipos de cinematografias sustentados pela ignorância no assunto.

A pergunta que não faço, para evitar desdobramentos desnecessários sobre um assunto de menor relevância na vida de qualquer pessoa, é: quantos filmes iranianos você assistiu nos últimos anos? Quantos filmes nacionais (não valem as globochanchadas) você viu nos últimos anos? Nada me irrita mais que o senso comum propagando desinformação. Sim, há filmes nacionais ruins. Sim, há filmes iranianos muito chatos. Mas para dizer isso é preciso ver uma boa meia-dúzia deles antes.

E o cinema turco?  O que você acha do cinema turco? Antes de torcer nariz e lançar aquela sentença desfavorável (como vem acontecendo com a justiça (!?) brasileira no caso “A Serbian Film”), ou se esconder atrás da desculpa de que é difícil conseguir ver um filme turco, saiba que agora dá.

De hoje até o dia 18 de agosto, acontece no Centro Cultural São Paulo o Festival de Cinema Turco. Serão 12 filmes inéditos, entre clássicos dos anos 70 e 80 e produções contemporâneas. Os ingressos custam R$ 1,00. Acabam-se as desculpas. A não ser que seja mais cômodo revirar os olhinhos de descrédito quando ouvir alguém dizendo que assistiu um filme turco muito legal.
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Serviço:
Festival de Cinema Turco
Centro Cultural São Paulo
Rua Vergueiro, 1000
(ao lado da estação Vergueiro do metro)
Tel.:3397-4002
Mais informações, acesse: http://www.centrocultural.sp.gov.br

terça-feira, agosto 09, 2011

Saturno em Oposição



Saturno Contro
Ferzan Ozpetek
Itália/França/Turquia, 2007
110 min.

O domínio do tempo da narrativa é o grande destaque neste filme de Ferzan Ozpetek. Com uma simplicidade de gestos breves, em meio ao tempo de transições e conflitos, os sentimentos se transformam e o modo como se conduz essa transformação trás uma rica beleza de vida, tempo e passagem.

O filme abre com a narração de Lorenzo (Luca Argentero), jovem e belo arquiteto, falando da felicidade que sente de receber os amigos em sua casa, de como gostaria que aquilo nunca mudasse, mas tem a certeza de que na vida nada é para sempre. Lorenzo vive com Davide (Pierfrancesco Favino), um bem sucedido escritor e editor de livros. São um casal apaixonado, parte de um círculo de amigos de muitos anos.

Entre os amigos, há o casal Angélica (Margherita  Buy) e Antonio (Stefano Accorsi), que enfrentarão em breve uma crise no casamento, há o casal Neval (Serra Yilmaz) e Roberto (Filippo Timi), ela falastrona e de personalidade, ele submisso e cordato. E também a jovem Roberta (Ambra Angiolini), consumidora moderada de drogas variadas com problemas emocionais, além de Sergio, solteiro, próximo da meia idade, ex-namorado de Davide, também editor de livros.

É a relação desse grupo diverso e a forma como atravessarão os estágios emocionais a que o filme os levará, a real substância dessa narrativa de Ozpetek. Ao longo do filme, passarão todos pela felicidade, tristeza, perda, luto e restituição das coisas. Nesse processo, haverá crises, discussões, silêncios e as dificuldades de se lidar com a morte, com o arranjo das coisas, com temas delicados e explicações dolorosas.

Na construção dessa narrativa, o diretor demonstra uma habilidade surpreendente em conduzir as emoções e os personagens sem grandes alardes. Seu trabalho é de gestos pequenos, de momentos em que o quadro diz sem precisar dizer, quando tudo se explica pelo silêncio e pelo andamento do tempo. É na condução desse tempo, na perfeita sintonia da transição entre os momentos emocionais do filme, que Ozpetek demonstra um incrível domínio da fluidez acertada, cadenciada, quase musical do tempo narrativo.

As passagens suaves, a expressão dos sentimentos pelos olhares, os movimentos de câmera. Tudo carrega sua carga de emoção e andamento, tudo indica a transformação do íntimo de todos; a dor, o ressentimento, a ausência e a força ou fraqueza em cada personagem. Seu andamento é como música, mas com trilha sonora mínima, um andamento feito de domínio e perfeição. E é nessa cadeia de complexos sentimentos, parte de um círculo de amizade renitente, que se refaz, dos cacos do sofrimento e da perda, a restituição da alegria. Se não para sempre, já que nada dura tanto, ao menos pelo tempo que o tempo permitir durar.

“Saturno em Oposição” é um filme sobre a vida, o tempo e a amizade. Sobre sentimentos impossíveis de serem expressos, apesar de estarem à flor da pele. É uma obra que desliza diante de nossos olhos, levando em sua passagem os sentimentos duros e suaves que a vida nos impõe ou proporciona. Uma história na qual a beleza não está no que se vê de imediato, mas no que se viu enquanto o tempo passava.
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domingo, agosto 07, 2011

Quero Matar Meu Chefe


Horrible Bosses
Seth Gordon
EUA, 2011
98 min.

Invertendo a fórmula mais comum em Hollywood, “Quero Matar Meu Chefe” é um filme que tinha tudo para ser ruim, mas é na verdade uma divertida boa surpresa. Não apenas porque evita o besteirol, mas porque investe em atuações de qualidade, especialmente no elenco de apoio, composto por astros do primeiro time. Uma combinação que dá muito certo, aliada a um roteiro bem arrumado.

A história é sobre três amigos - Nick (Jason Bateman), Dale (Charlie Day) e Kurt (Jason Sudeikis) - que têm chefes horríveis em seus respectivos empregos. Esse é o primeiro grande trunfo do filme. Afinal, quem nunca teve um chefe infernando sua vida?

Nick é um executivo que almeja a vice-presidência da empresa, para consegui-la, se sujeita ao sadismo de seu chefe, interpretado por Kevin Spacey, que faz de tudo para humilhá-lo, como obrigá-lo a beber uma dose dupla de uísque às oito da manhã.

Kurt tem de lidar com um chefe cretino, viciado em cocaína, preconceituoso e paranoico, interpretado por Colin Farrel, que usa um combover (estratégia de ocultar a calvice com os cabelos que restam, exemplo famoso: Donald Trump) assustadoramente feio. Ele quer demitir vários funcionários apenas porque não gosta de gordos e deficientes.

Já Dale parece ter o menor dos problemas com sua chefe, interpretada por Jennifer Aniston, uma ninfomaníaca que o assedia ostensivamente. Acontece que Dale está noivo e não quer trair a namorada. Diante de sua recusa, sua chefe parte para a chantagem.

Fazendo divertidas referências ao clássico de Hitchcock “Pacto Sinistro” (1951) e também ao ótimo “Jogue a Mamãe do Trem” (de 1987, também este uma paródia de Pacto Sinistro), a trama vai levar os amigos a pensarem seriamente em assassinar seus chefes. Mas como nenhum deles tem experiência no assunto, vão atrás de um profissional e acabam caindo nos truques de “Motherfucker Jones”, numa ótima participação de Jamie Foxx. É quando, assessorados por Jones, têm a brilhante ideia de cada um matar o chefe do outro.

Mesmo sem qualquer preocupação com o politicamente correto, o filme consegue ser engraçado sem apelar para o constrangimento de gosto duvidoso. As piadas funcionam muito bem, graças ao ótimo desempenho do elenco de apoio. Não menos cômico está o elenco principal, especialmente Charlie Day, nos momentos em que fica “doidão”.

O roteiro consegue segurar a trama, amarrando de forma bastante boa o andamento da história e as confusões que matar algumas pessoas pode trazer. Não cai nas facilidades do gênero e trás reviravoltas muito engraçadas, para complicar ainda mais a vida dos desastrados matadores de chefe.

Um filme onde tudo funciona bem e faz rir, coisa rara nas comédias atuais, por mais paradoxal que isso possa parecer. A verdade é que esse gênero está infestado pelo óbvio desgastado ou pelo escatológico absolutamente sem graça. Uma comédia autêntica como essa, que não precisa do viés romântico para fazer complemento, é uma ótima surpresa no cinema comercial de hoje em dia. Vá ver e ria muito.
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sábado, agosto 06, 2011

Breve Guia



Pensando em pegar um cinema nesse final de semana? O Eu, Cinema fez um guia rápido, a partir do que já conferiu, do que está em cartaz em São Paulo. Faça sua escolha e bom filme (de preferência, sem barulho de saquinho de bala ou pipoca, nem conversas ou luz de celular, por favor). Os filmes estão na ordem de cotação, dos mais bem cotados aos menos bem cotados*. 

Saturno em Oposição
Outubro
Poucos filmes são tão bem conduzidos no domínio do tempo da narrativa como esse trabalho do turco Ferzan Ozpetek. É a história de um grupo de amigos que atravessam a felicidade, a tristeza, a perda, o luto e restituição da alegria, entre conflitos internos nas relações. Simples, bonito, comovente e humano.

Melancolia
Entre o estado de depressão profunda e o fim do mundo, um filme de rara beleza e muitos significados. Atuações incríveis de Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg e imagens que vão do mais belo enquadramento ao mais assombroso efeito.

Homens e Deuses
Inspirado em fatos reais, reconta o caso dos monges franceses sequestrados e executados por grupos extremistas na Argélia, em 1996. Mais que um retrato político e histórico, uma obra sobre a fibra do caráter, a força da fé e as convicções de homem. Excelente.

Gainsbourg – O Homem que Amava as Mulheres
Declaradamente fantasiosa cinebiografia do polêmico cantor e compositor francês Serge Gainsbourg. Adorável filme, cheio de fantasia, humor, sensualidade e beleza. A entrada em cena da modelo Laetitia Casta como Brigitte Bardot é antológica. E, claro, recheado com as inesquecíveis canções do compositor.

Meia-Noite em Paris
Minhas Tardes com Margueritte
Novo filme do Wood Allen mostra escritor inseguro em viagem a Paris com a esposa. Em busca de inspiração e apaixonado pela cidade, acabará conhecendo um lado mágico e insólito da cidade. Um filme que fala sobre um sentimento comum no ser humano: a saudade de um tempo que não viveu. Allen desconstrói esse sentimento com maturidade e inteligência.

Outubro
Um recém-nascido é deixado na casa de um solitário agiota. Sem saber como lidar com a criança e sem poder se livrar dela, pede ajuda a uma vizinha. Uma narrativa sobre a solidão, os sentimentos vedados e a possibilidade de afeto e amizade entre os mais brutos e endurecidos pela pobreza.

Vejo Você no Próximo Verão
Um casal promove o encontro de outro casal. Enquanto um par consolida a relação através de afeto, comlucidade e comprometimento, o outro se dissolve pela perda da confiança e pelo desequilíbrio de uma traição. Ainda um pouco cru, Philip Seymour Hoffman estreia na direção. Faz um filme delicado e tocante, mas ainda tem muito a refinar. Mas já apresenta um ótimo começo.

Minhas Tardes com Margueritte
Um homem simples e rústico, casado e com problemas com a mãe rancorosa, inicia delicada e surpreendente amizade com uma senhora muito idosa. Através da literatura, criarão laços de afeto, respeito e carinho. Cinema mínimo, de sentimento humano e verdadeiro.

O Casamento do Meu Ex
Melancolia
Amigos se reúnem para casamento, mas sentimentos e frustrações do passado virão à tona para perturbar o suposto equilíbrio dos noivos. Um filme divertido, suave, bem conduzido e com bons diálogos. Evita alguns clichês, cai e outros e utiliza bem alguns. Ótimo filme para que procura algo leve, sem ser estúpido.

Quero Matar Meu Chefe
Comédia realmente divertida sobre três sujeitos que querem matar seus chefes tirânicos e maníacos. Ótimas piadas e referências, participações de peso como Jamie Foxx, Kevin Spacey e Jannifer Anniston e atuações inspiradas de alguns dos atores principais. Melhor que “Se Beber, Não Case”.

Mamute
Após se aposentar, sujeito atrapalhado precisa ir atrás de seus antigos empregadores para coseguir documentos que o ajudem a ter uma aposentadoria integral. Comédia e road movie no qual o protagonista viverá uma viajem sempre à beira do insólito, na qual descobrirá o prazer em estar vivo e a incrível sensação de liberdade.

Como Arrasar um Coração
Especialista em conquistar mulheres vende seus serviços à famílias que querem separar casais. Boa comédia romântica francesa. Tem os cacoetes do gênero, mas se sai bem na sua utilização. É engraçado e não muito piegas, um equilíbrio geralmente inverso no gênero, daí sua grande qualidade

Potiche – Esposa Troféu
Quero Matar Meu Chefe
Catherine Deneuve e Gérard Depardieu fazem o par ícone dessa comédia sobre a emancipação da mulher. Ambientado nos anos 70, mostra uma dona de casa, esposa de um tirânico industrial, tendo que assumir os negócios da família, enfrentando greves e revindicações sindicais por parte dos trabalhadores.

Quebrando o Tabu
Documentário sobre a descriminalização da maconha. Apesar de um roteiro e de uma montagem que não define a posição do filme quanto ao problema, tem a favor a exibição de dados, fatos e depoimentos sobre o assunto que ajudam a esclarecer o tamanho do problema e o que se tem feito em outros países.

Assalto ao Banco Central
Tentativa nacional de, a partir do roubo verídico do Banco Central em Fortaleza, adentrar no gênero de filmes de grandes e inteligentes assaltos. Peca gravemente por não saber usar os elementos do gênero e tratar o roteiro e o plano com displicência. Nesse gênero, ainda temos muito que aprender. Mas o filme não é de todo ruim. Vale dar uma espiada.

A Inquilina
Mulher independente se muda para apartamento e passa a se sentir vigiada. História fraca, final previsível. Até a metade se sai razoável, depois avacalha nos clichês e na falta de suspense. Um ou dois sustos, nada mais.

Vejo Você no Próximo Verão
Transformers: O Lado Oculto da Lua
A bobagem não tem fim e o filme repete os fogos de artifício dos anteriores. Para levar as crianças e tentar dormir entre as explosões.

Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo
Dois atores mambembes, pai e filho, metidos em confusões. Roteiro mais esburacado que rua de São Paulo, piadas totalmente sem graça. Sobra apenas a boa participação de Tarcício Meira, que consegue alguma graça em algumas cenas.
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(*) O Eu, Cinema não exibe as cotações que dá aos filmes por achá-las uma simplificação reducionista da obra. Entre estrelas, bonequinhos e carinhas, prefere a palavra escrita e a leitura das mesmas por parte do público.

sexta-feira, agosto 05, 2011

Ilusões Óticas



 Ilusiones Ópticas
Cristian Jiménez
Chile/França/Portugal, 2009
105 min.

Apesar de repetir uma fórmula esquemática cada vez mais desgastada em comédias dramáticas recentes (vários personagens ligados entre si sem saberem, podendo - ou não - se encontrar no final), o chileno “Ilusões Óticas”, que estreia hoje (05) no Rio de Janeiro, é um filme divertido e melancólico em medida bem dosada. Apresenta personagens que se veem desorientados na vida. Personagens que, ou se perderam em ilusões ingênuas, ou conseguiram o que queriam e descobriram a ilusão por trás do sonho realizado. É onde estão as ilusões óticas do título, ilusões que criamos entre o que vemos e sentimos, entre o que desejamos e o que temos.

Os personagens são diversos em “Ilusões Óticas”. Um segurança de shopping que se apaixona por uma ladra, um cego que ao voltar a enxergar e vê sua vida perdendo a direção, um quase desempregado de meia idade confuso, uma grã-fina cleptômana, uma jovem com baixa autoestima e um marqueteiro de uma empresa quase falida.

Esses personagens se ligam não apenas por laços de um destino irônico, ou pela casualidade insólita da vida, mas principalmente porque trazem, cada um deles, um tipo de ilusão, de desejo e sonho que é a causa e consequência das decepções de suas vidas. Seja pela realização desse desejo, seja por sua natureza imensurável de realização.

Nessa miscelânea de vidas frustradas, o expectador irá compartilhar o cômico e o melancólico das situações a que estarão sujeitos essas figuras em busca de suas ambições. Cada personagem será vítima de si mesmo, por ter construído castelos de esperanças em areia movediça.

Talvez pelo número de personagens, “Ilusões Óticas” se mostra um filme irregular, patinando em alguns momentos, dando destaque a histórias mais fracas em detrimento dos melhores personagens. Nesse sentido, há um leve mau aproveitamento do melhor personagem: o “ex-cego”. Tanto pela atuação excelente do ator Ivan Alvarez de Araya, quanto pelo que seu drama tem de cômico, triste e inesperado.

Mesmo com suas irregularidades, esse longa de estreia de Cristian Jiménez alcança uma delicadeza no trato das histórias que comove sem precisar de recursos piegas. Em meio a tantas ilusões e realizações frustradas nas vidas de pessoas comuns, perdidas diante de seus sonhos e desejos íntimos, talvez a solução esteja na frase que fecha o filme. Uma frase que guarda, na sua simplicidade e em seu sentido universal, uma possível resposta para os desalentos da vida. “Mais perto”, dita como é dita no final (e só quem vir o filme vai entender) é o que talvez todos precisemos para dar sentido às nossas próprias ilusões de óticas cotidianas.
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quinta-feira, agosto 04, 2011

Melancolia



Melancholia
Lars von Trier
Dinamarca/Suécia/França/Alemanha, 2011
136 min.

Entre as muitas belezas de “Melancolia” - novo filme do dinamarquês Lars von Trier que estreia nessa sexta (05) - a que mais me afeta é o enquadramento que mostra Justine (Kirsten Dunst) nua, deitada na relva, sob a luz de Melancolia. A imagem insinua uma tensão erótica improvável entre Justine e o planeta que vem em direção à Terra. Um planeta, de nome Melancolia, que parece exercer sobre Justine mais que uma simples fascinação ou influência de humores. Ele é seu desejo e seu reequilíbrio.

Entre a depressão profunda de Justine, o desnorteio de sua irmã Claire (Charlotte Gainsbourg) e a insólita vinda de um planeta em direção à Terra, “Melancolia” se revela um filme sobre tristeza e serenidade. A serenidade que compreende que o fim da vida no planeta pode ser apenas o restabelecimento de uma ordem cósmica à qual a vida na Terra veio perturbar. Pois como diz Justine, a vida na Terra é má, e quando ela se for, ninguém sentirá falta.

O filme se divide em duas partes. Na primeira, intitulada “Justine”, temos a festa de casamento da própria Justine, bancada por John (Kiefer Sutherland), o rico marido de sua irmã, em uma grande propriedade afastada da cidade. O filme começa com uma aparente felicidade dos noivos, mas no desenrolar da noite, lentamente Justine começa a se distanciar de todos, revelando uma tristeza da qual não pode escapar. Diz se locomover com dificuldade, pois sente que fios de lã cinza se embaraçam em seus pés. Justine se afunda em depressão.

Na segunda parte, cujo título é “Claire”, temos a irmã de Justine perturbada pela aproximação do planeta Melancolia, enquanto a irmã regressa da clínica onde esteve internada em um estado de absoluta apatia, incapaz de sequer permanecer em pé sozinha. Claire, seu marido e o pequeno filho do casal, junto com Justine, vão esperar pela passagem do planeta na isolada propriedade. Apesar de seu marido garantir que não há chance de Melancolia colidir com a Terra, Claire permanecerá aflita com esta possibilidade.

Von Trier elabora seu filme a partir da tristeza inata, da aflição da tragédia iminente e da beleza que se pode extrair do insólito. 

“Melancolia” abre com imagens de encher os olhos, adiantando o que se verá no filme. Essas imagens dialogam com quadros conhecidos, não apenas pela composição de luz e enquadramento, mas pela lentidão dos movimentos, em uma câmera lenta que se aproxima da imobilidade. O claro tom onírico remete à aqueles pesadelos dos quais nos sentimos incapazes de escapar. É o prenuncio da angústia, que nos sufoca desde o início.

Justine (uma interpretação memorável de Kirsten Dunst) personifica a tristeza inevitável, a melancolia muitas vezes necessária para a serenidade. É claro que no cinema de Lars von Trier isso nunca se dará em tons amenos, por isso Justine vai ao fundo e só emerge de lá quando pressente o fim do que considera a maldade, a vida na Terra. Quando em seu casamento, muito antes de descer ao fundo da apatia depressiva, ela diz que sorri, sorri e sorri, como se sorrir fosse tudo que pudesse fazer diante da completa falta de sentido da vida, na verdade ela desmascara a hipocrisia do mundo, que apenas sorri, sorri e sorri para esconder sua tristeza ou maldade.

Claire (em interpretação não menos inspirada de Charlotte Gainsbourg) é a fachada, oposto de Justine. Claire representa as convenções, a necessidade da ordem do mundo. Por isso se perturba tanto com a proximidade de Melancolia e por isso se desespera tanto quando o fim se mostra inevitável. Sua ideia de como devem passar os últimos momentos da vida é ridícula e desmontada sem piedade por sua irmã Justine. É quando se revela a serenidade e aceitação de Justine. É quando ela demonstra compreender que o fim da vida na Terra é apenas a correção de um equívoco cometido pelo acaso. Pois não há vida em qualquer outro lugar do universo.

Atravessar “Melancolia” não é uma experiência pela qual seja simples passar. Lars von Trier nos leva a uma realidade onírica de imagens belíssimas. Imagens que muitas vezes nos provocam uma angústia e um desconforto sutil, mas intenso. Algo que nos incomoda na alma, para além do consciente. Essa perturbação cresce à medida que se aproxima o fim de tudo. E o desfecho nos arrasta, como uma sinfonia cósmica, esmagadora e devastadora, para uma cena final de tirar o fôlego. Como se o planeta Melancolia também nos tivesse atingido.
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quarta-feira, agosto 03, 2011

Resultado da Promoção

O vencedor da promoção Eu, Cinema: "Onde Está a Felicidade?" foi Andrea B. Heidrich.

Parabéns Andrea!!! Entraremos em contato com você pelo e-mail.

Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo



Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo
Hugo Carvana
Brasil, 2011
100 min.

Depois de 21 anos longe do cinema, Tarcísio Meira retorna à tela grande em novo filme de Hugo Carvana. Mas, infelizmente, sua atuação é a única coisa positiva do filme, uma comédia quase incapaz de fazer rir.

“Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo”, que estreia nessa sexta (05), é sobre dois atores mambembes atrapalhados que se apresentam em cidades do nordeste brasileiro. A história é narrada por Lalau Velasco (Gregório Duvivier), filho de Ramon Velasco (Tarcísio Meira). Durante uma apresentação de stand up comedy, Lalau conta as aventuras dele e de seu pai, um especialista em se envolver em confusão e que quando a coisa fica feia repete o bordão: “Não se preocupe, nada vai dar certo”.

A história começa quando a polícia baixa numa rinha de galos comandada por Ramon, que tem de fugir da cidade. Para não abandonar o pai, Lalau deixa para trás Rosa (Mariana Rios), com quem vivia em uma casa na praia. Pai e filho vão parar em Fortaleza, onde Lalau passa a se apresentar em um hotel e onde Ramon retoma um velho caso com a dona de um bordel.

Após uma de suas apresentações, Lalau conhece Flora (Flávia Alessandra), executiva que oferece uma grana alta para o ator se passar por um guru espiritual durante um workshop motivacional de uma grande empreiteira no Rio de Janeiro. Lalau aceita, e parte para o Rio sem avisar seu pai, que, depois de descobrir o golpe do filho, vai em seu encalço.

Na pele do guru Bob Savanandra, Lalau se deixa seduzir por uma das sócias da empresa (Ângela Vieira). Mas ela acaba assassinada a tiros depois de descobrir fraudes em licitações da empreiteira. Preso como principal suspeito do assassinato, Lalau terá que contar com a ajuda de seu pai que, através de vários disfarces, irá investigar o crime e tentar provar a inocência do filho.

Os problemas de “Não Se Preocupe...” começam pelo roteiro, que vai pouco além de uma série de retalhos mal costurados, incapaz de fazer sentido. Tem tantos lapsos que chega a ser constrangedor, mesmo sendo o filme uma (tentativa de) comédia escrachada. Na tela, o que se vê são atuações pífias, pouco inspiradas, e uma direção de arte novelesca, um pastiche de televisão.

A dupla Tarcísio Meira e Gregório Duvivier não consegue criar química suficiente para o humor e o filme simplesmente não consegue fazer rir. Salvam-se, contudo, algumas cenas de Tarcisio, que quando só em cena faz o filme descolar um pouco do raso irrisório, com perdão do trocadilho.

Esses momentos melhoram ainda mais quando seu personagem, utilizando disfarces canastrões, se passa por vários tipos, como embaixador de um país exótico, detetive casca grossa ou advogado experiente. Mas, apesar desses bons momentos, o filme não deixa de ser bastante pífio.

Hugo Carvana se mostra, por fim, um diretor irregular, que vai de obras excelentes como “Vai Trabalhar Vagabundo” e “Bar Esperança” para filmes constrangedores como “A Casa da Mãe Joana” e agora “Não Se preocupe...”. Embora o diretor mantenha seu discurso de que seu cinema é um tipo de cinema despreocupado com a vida séria e que se pretende apenas como leveza para rir e divertir. Ele já provou conseguir fazer esse cinema com muita qualidade e inspiração, sem cair no rasteiro e insosso de comédias precárias, como é o caso desse filme.
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terça-feira, agosto 02, 2011

Andy Warhol Televisivo

Ícone da Pop Art tem seus trabalhos para a televisão exibidos no Sesc Pinheiros


Exposição "Warhol TV" segue até o dia 25/09 e é uma parceria entre o Sesc Pinheiros e a Oi Futuro. A entrada é franca.

Leia matéria que escrevi para a Época São Paulo: Programas de TV de Andy Warhol são tema de exposição

Uma semana de curtas paulistanos

Semana Paulistana de Curta-Metragem exibe trabalhos inéditos no formato


Está em cartaz no Centro Cultural São Paulo, de 02 a 07 de agosto, a Semana Paulistana do Curta-Metragem 2011. Serão exibidos 17 trabalhos inéditos, além de uma retrospectiva com os nove curtas que mais se destacaram na edição 2010. A iniciativa é uma ação da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo em conjunto com o Centro Cultural São Paulo.

A mostra é competitiva, com prêmios em dinheiro para os três primeiros colocados (1º R$ 7.500,00; 2º R$ 5.000,00; 3º R$ 2.500,00), um prêmio especial de R$ 2.000,00 (Prêmio Semana Paulista), além de quatro menções honrosas.

O júri de premiação é composto por Roney Freitas (curta-metragista), Vania Debs (montadora) e André Klotzel (cineasta). O resultado com os vencedores será divulgado no dia 7 de agosto, quando serão reexibidos nas sessões do dia. Os ingressos para as sessões curtam R$ 1,00. Mais informações acesse: http://www.centrocultural.sp.gov.br
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Serviço:
Semana Paulistana do Curta-Metragem 2011
De 02/08 a 07/08
Centro Cultural São Paulo
Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso (ao lado da estação Vergueiro do metro)
Ingressos: R$ 1,00

segunda-feira, agosto 01, 2011

Retrospectiva Maristela resgata história do cinema paulista

Centro Cultural Banco do Brasil exibe filmes dos estúdios do Jaçanã


Nem só de samba paulista vive o Jaçanã, bairro da zona norte paulistana imortalizado na canção “Trem das Onze”, de Adoniran Barbosa. O bairro também foi palco da história do cinema nacional, quando, nos anos 50, abrigou a Companhia Cinematográfica Maristela.

São os frutos dessa importante passagem do cinema paulistano que o Centro Cultural Banco do Brasil resgata através da Retrospectiva Maristela, que estará em cartaz em São Paulo, de 03 a 14 de agosto. A mostra reúne todas as obras produzidas pelos estúdios da Maristela, que permaneceu em atividade de 1950 a 1958.

Efervescência cultural
A Maristela surgiu em São Paulo na esteira da efervescência cultural que a cidade vivia no início dos anos 50. Contaminado pelo clima de otimismo e prosperidade, Mario Audrá Júnior, um jovem empreendedor filho de prósperos industriais, se une a Ruggero Jacobbi e Mario Civelli, duas figuras importantes nas rodas culturais da cidade para fundar a Companhia Cinematográfica Maristela.

Logo, junta-se aos três o renomado produtor e diretor Alberto Cavalcanti, um dos principais nomes da então poderosa Vera Cruz, que se desligara da companhia por conta de atritos com seu fundador, Franco Zampari.

Meio-termo
A companhia realizou 14 filmes em seus oito anos de atividade. Sua intenção era realizar filmes que fossem um meio-termo: longe do escracho das chanchadas da Atlântida, mas sem a pomposa presunção artística e intelectual da Vera Cruz.

Embora pouco lembrada quando se fala da história do cinema nacional, a Maristela realizou obras importantes, como a primeira adaptação para o cinema de um texto Nelson Rodrigues, “Meu Destino é Pecar” (1952), de Manuel Peluffo. Com Alberto  Cavalcanti na direção, realizou as premiadas comédias “O Comprador de Fazendas” (1951), “Simão, o Caolho” (1952) e “Mulher de Verdade” (1954). Também realizou filmes de suspense policial, como “Quem Matou Anabela” (1955), de D. A Hamza e dramas de violência como “Mãos Sanguentas” (1954), de  Carlos Hugo Christensen.

Concorrência
A exemplo do que aconteceu com as demais iniciativas paulistas de cinema industrial, como a Multifilmes e a Vera Cruz, a Maristela não resistiu à concorrência dos filmes internacionais, que ocupavam o circuito exibidor, sufocando qualquer possibilidade de espaço para suas produções. Com a retrospectiva promovida agora pelo CCBB, surge uma oportunidade de se conhecer o trabalho heroico e sonhador dos que fizeram uma parte da história do cinema nacional.
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Serviço:
Retrospectiva Maristela
Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Álvares Penteado, 112 - Centro
De 03 a 14 de agosto (de quarta a domingo)
Ingressos: R$ 4,00 (meia: R$ 2,00)
Tel: (11) 3113-3651
Mais informações, clique aqui.

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Em 03 de outubro do ano passado, o blog Eu, Cinema entrava no ar com uma crítica de um filme pelo qual tenho muito carinho, embora tenha me rendido um pequeno infortúnio. “Estrada para Ythaca”, dos irmãos Pretti e primos Parente, é a prova de que se pode fazer bom cinema com recursos escassos.

Este é o post de número 200 deste blog. Ele nasceu com o intuito muito particular de servir como portfólio e plataforma. Em consequência disso, sempre buscou alguma qualidade, seja na forma do texto, seja no seu conteúdo.

Felizmente, o Eu, Cinema trouxe algum resultado e despertou a atenção de pessoas para quem a opinião é muito importante para mim, que passo há alguns anos por um processo de busca de legitimação. Mas isso é assunto para psicanálise.

Fico muito contente de chagar a um número bom de postagens e textos. Sempre foi para mim um prazer escrever aqui sobre cinema, uma das minhas grandes paixões. Espero poder continuar assim por muito tempo e espero que o conteúdo se mantenha interessante ao leitor.

Obrigado a todos que leem este blog. Bons filmes a todos.
 

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