terça-feira, janeiro 11, 2011

Cobrador, In God We Trust



Cobrador, In God We Trust
Paul Leduc
México/Espanha/Brasil/
Argentina/Reino Unido/França, 2006

A idéia de levar o universo e os personagens do escritor Rubem Fonseca para o cinema deve parecer tentador para qualquer cineasta que conheça sua obra. Mais ainda pelo fato notório de que há, nas narrativas de Rubem Fonseca, um diálogo permanente com o cinema.

Paul Leduc, cineasta mexicano, não resistiu e realizou “O Cobrador, In God We Trust”, um filme que se inspira livremente em passagens e personagens dos livros de Rubem Fonseca. O resultado disso é uma colagem superficial de tipos, amarrados por uma narrativa frouxa, que resvala no universo “fonsequiano”, mas termina por passar ao largo de sua real substância.

Em um filme de poucos diálogos, Leduc subtrai o elemento chave da força da obra de Rubem Fonseca, que é o diálogo e o fluxo de pensamento. São esses elementos que constroem os personagens, que os situa dentro de sua loucura ou visão da realidade, umas vezes distorcida, outras vezes tão agudamente real que chega a cortar.

O que sobra, portanto, - e disso o filme se aproveita sem temor – é a violência, o revide imediato. Contudo, da forma como esta violência é executada e exposta, soa gratuita, vazia, muito longe de uma reflexão de mundo, de urbanidade, de miséria contemporânea e de desestruturação das instituições e da vergonha.

As imagens perdem força com a ausência de palavras. Sendo a linguagem cinematográfica pautada pela imagem, que deve bastar-se por si só, neste caso o diretor não demonstra qualquer habilidade em construir um efeito capaz de causar impacto ou reflexão apenas com elas.

O que fica são fragmentos mal cadenciados e desamarrados, explicitando uma tentativa de alcançar a estética da violência urbana contida nos tipos de Fonseca. Se estão lá os loucos, os pervertidos, os desdentados e os marginais, sua razão dentro do filme se dispersa por uma total falta de substância. Fica uma monotonia, um vazio e uma violência que não representa a riqueza da obra que a inspirou.
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1 comentários:

Tarja Preta disse...

Por que só encontramos trailler e não o filme completo para assistir no Youtube:

 

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