Aproveitando a Semana da Francofonia e o ciclo de filmes da Galeria Olido, um pouco mais sobre a "Nova Onda".
A Nouvelle Vague é talvez o movimento que mais influenciou o cinema no mundo todo. Seus reflexos e sua influência perduram até os dias atuais, sendo seu maior e mais consistente legado aquilo que ficou conhecido como “política do autor”.

Sob essa perspectiva, transforma-se substancialmente o modo de ver o cinema, bem como a escala de valores críticos. A gestação desse novo olhar é resultado direto de alguns fatores particulares à uma nova geração de críticos de cinema, que mais tarde se tornariam realizadores, deixando a escrita teórica e partindo para a realização efetiva.
Essa geração surge e ganha consciência crítica graças à gestão de Henri Langlois à frente da Cinemateca Francesa. É o resgate que Langlois faz de uma cinematografia histórica, sua preservação e exibição, que desperta a cinefilia naqueles jovens “ratos de cinemateca”. Essa cinefilia e consciência crítica termina por desembocar na mítica revista Cahiers du Cinema (Cadernos de Cinema), na qual os jovens críticos passam a escrever.
Sob a orientação de outra figura mítica na história do cinema, o crítico André Banzin, forma-se o que ficou conhecido como núcleo duro da Nouvelle Vague, composto por François Truffaut, Jean-Luc Godard, Claude Chabrol, Eric Rohmer e Jacques Rivette. Todos eles escreveram críticas para os Cahiers du Cinema e, posteriormente, se tornaram diretores, pondo em prática aquilo que defendiam em suas críticas.
Esses jovens, ousados e atrevidos, decalcaram suas visões de cinema nas obras que realizaram, da forma mais autoral possível. Foram sempre fiéis às suas convicções estéticas e temáticas pessoais o que torna a obra de cada um deles diferente e particular, a despeito de terem em comum alguns princípios básicos do movimento que fundaram.
Desde “Nas Garras do Vício”, de Chabrol, “Os Incompreendidos”, de Truffaut, ou “Acossado”, de Godard - todos obras-faróis do início da Nouvelle Vague -, nunca mais se olhou para o cinema com os mesmos olhos.
Ainda hoje é pertinente e acesa a discussão sobre autoria e existe até uma divisão, sempre discutível e polêmica, do que seja, nos dias de atuais, um filme de autor e um filme meramente comercial.
Permanece na cinefilia atual, a tendência de seguir a trilha dos jovens críticos e desprezar tudo que não seja considerado de autor. Mas é preciso atenção e cuidado para não se cometer injustiças e incorrer em precipitações.
Afinal, é preciso sempre lembrar que mesmo aqueles jovens gênios, que reconfiguraram o modo de ver e fazer cinema em todo o mundo, cometeram seus pecados. Um exemplo disso foi terem, em seu tempo, desprezado a obra de Marcel Carné e todo o realismo poético do cinema francês.

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