domingo, agosto 07, 2011

Quero Matar Meu Chefe


Horrible Bosses
Seth Gordon
EUA, 2011
98 min.

Invertendo a fórmula mais comum em Hollywood, “Quero Matar Meu Chefe” é um filme que tinha tudo para ser ruim, mas é na verdade uma divertida boa surpresa. Não apenas porque evita o besteirol, mas porque investe em atuações de qualidade, especialmente no elenco de apoio, composto por astros do primeiro time. Uma combinação que dá muito certo, aliada a um roteiro bem arrumado.

A história é sobre três amigos - Nick (Jason Bateman), Dale (Charlie Day) e Kurt (Jason Sudeikis) - que têm chefes horríveis em seus respectivos empregos. Esse é o primeiro grande trunfo do filme. Afinal, quem nunca teve um chefe infernando sua vida?

Nick é um executivo que almeja a vice-presidência da empresa, para consegui-la, se sujeita ao sadismo de seu chefe, interpretado por Kevin Spacey, que faz de tudo para humilhá-lo, como obrigá-lo a beber uma dose dupla de uísque às oito da manhã.

Kurt tem de lidar com um chefe cretino, viciado em cocaína, preconceituoso e paranoico, interpretado por Colin Farrel, que usa um combover (estratégia de ocultar a calvice com os cabelos que restam, exemplo famoso: Donald Trump) assustadoramente feio. Ele quer demitir vários funcionários apenas porque não gosta de gordos e deficientes.

Já Dale parece ter o menor dos problemas com sua chefe, interpretada por Jennifer Aniston, uma ninfomaníaca que o assedia ostensivamente. Acontece que Dale está noivo e não quer trair a namorada. Diante de sua recusa, sua chefe parte para a chantagem.

Fazendo divertidas referências ao clássico de Hitchcock “Pacto Sinistro” (1951) e também ao ótimo “Jogue a Mamãe do Trem” (de 1987, também este uma paródia de Pacto Sinistro), a trama vai levar os amigos a pensarem seriamente em assassinar seus chefes. Mas como nenhum deles tem experiência no assunto, vão atrás de um profissional e acabam caindo nos truques de “Motherfucker Jones”, numa ótima participação de Jamie Foxx. É quando, assessorados por Jones, têm a brilhante ideia de cada um matar o chefe do outro.

Mesmo sem qualquer preocupação com o politicamente correto, o filme consegue ser engraçado sem apelar para o constrangimento de gosto duvidoso. As piadas funcionam muito bem, graças ao ótimo desempenho do elenco de apoio. Não menos cômico está o elenco principal, especialmente Charlie Day, nos momentos em que fica “doidão”.

O roteiro consegue segurar a trama, amarrando de forma bastante boa o andamento da história e as confusões que matar algumas pessoas pode trazer. Não cai nas facilidades do gênero e trás reviravoltas muito engraçadas, para complicar ainda mais a vida dos desastrados matadores de chefe.

Um filme onde tudo funciona bem e faz rir, coisa rara nas comédias atuais, por mais paradoxal que isso possa parecer. A verdade é que esse gênero está infestado pelo óbvio desgastado ou pelo escatológico absolutamente sem graça. Uma comédia autêntica como essa, que não precisa do viés romântico para fazer complemento, é uma ótima surpresa no cinema comercial de hoje em dia. Vá ver e ria muito.
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