Larry Crowne
Tom Hanks
EUA, 2011
98 min.
Em 1996, Tom Hanks estreou na direção lançando um simpático
e ingênuo filme chamado “The Wonders – O Sonho Não Acabou”. A história girava
em torno de uma jovem banda que nos anos 60 começa a fazer sucesso. Entre o
início da fama, com viagens e shows, os integrantes passam a conviver com o
deslumbramento do sucesso e os problemas de relacionamento. Dosado com
romantismo e entusiasmo juvenil, o filme não apresenta grandes atributos, sendo
uma boa opção para fins de tarde de domingo com a namorada e nada mais.

Larry Crowne (Hanks) é um homem bem humorado, otimista e divorciado,
entrando na meia-idade. Vivendo só, trabalha há quase dez anos em uma cadeia de
supermercados. Seu entusiasmo e dedicação no trabalho já lhe renderam nove
indicações a funcionário do mês. Até que é demitido. Segundo normas da empresa,
todos os funcionários devem, obrigatoriamente, ter oportunidade de ascensão nos
quadros internos. Mas como Larry não cursou a universidade não pode ascender a
qualquer outra posição. Para que não se fira o estatuto da empresa, só resta
demiti-lo. Uma situação que faria Kafka sorrir.

“Larry Crowne” é um filme sobre essas mudanças, sobre a
coragem de recomeçar mesmo depois de tantas frustrações. É também sobre
humildade. Toca superficialmente em temas como o agressivo mercado de trabalho
e a questão da educação. Mas tudo isso são apenas pinceladas, o que importa
mesmo no filme é o romance adocicado entre o casal Julia e Hanks.
Como em seu primeiro filme, Hanks trabalha a narrativa sem
viradas súbitas e sem grandes embaraços na trama. A história simplesmente flui,
deixando que os personagens se revelem e se descubram. Isso evita que a
história caia nos clichês das comédias românticas atuais, que precisam sempre
criar um grande nó para ser desatado no final (de preferência, de forma bem
romântica). Essa narrativa fluida, no entanto, escorrega ao não trabalhar
melhor a aproximação entre os dois personagens. Causa uma sensação de
artificialidade no modo como as coisas acontecem. Um artificialismo agravado
pela falta de química entre o casal.

São dois talentos atestados por
carreiras e papéis marcantes, “oscarizados”, que neste filme se acomodam no
carisma que sabem que têm, sem grande ousadia. Como se não tivessem a mesma
coragem de arriscar que têm seus personagens no filme.
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