quinta-feira, maio 19, 2011

Santa Paciência



The Infidel
Josh Appignanesi
Reino Unido, 2010
105 min.

A comédia britânica “Santa Paciência”, que estreia nesta sexta (20), lida com os conceitos de crise de identidade através de um inusitado e criativo argumento. É a partir desse argumento que o protagonista irá se debater com questões atuais como islamofobia, antissemitismo e o princípio de pertencimento, que desde os primórdios da História norteia o caráter a ética e a cultura do indivíduo. Parte da graça do filme está justamente em lidar com questões tão atuais quanto ancestrais.

Mahmud é o chefe de uma família de mulçumanos que vivem no subúrbio de Londres. Pacifista e laico nos assuntos do Corão (livro sagrado do Islamismo), o patriarca e sua família cultivam a cultura ocidental sem problemas, convivendo com vizinhos e amigos muito mais ortodoxos que eles. Os problemas começam quando o filho mais velho quer se casar com sua grande paixão Uzma (Soraya Radford). O obstáculo é que a mãe de Uzma, após enviuvar, casa-se com um fervoroso ativista islâmico que só cederá a mão da enteada se a família do noivo provar ser “islâmica o suficiente” para merecê-la.

Disposto a se esforçar para parecer “mais islâmico”, Mahmud sofre um forte baque quando, ao revirar velhos documentos de sua falecida mãe, descobre que foi adotado. Ao investigar suas origens, descobre que seus pais biológicos eram judeus. Com a descoberta, passa a sofrer de uma profunda crise de identidade.

Apesar do filme partir de um estopim inteligente e inusitado e de ter momentos divertidos, não escapa a certos maneirismos fáceis. O principal deles está em extrair humor de estereótipos quando poderia explorar situações mais bem elaboradas. Mas não há dúvida que o tipo de humor fácil (e sempre no limite do gosto duvidoso ou não) que o filme abraça é muito mais vendável e digerível pelo grande público.

Não chegando a ser uma grande comédia, “Santa Paciência” consegue fazer rir com algumas sacadas ótimas. Ao se desenrolar em situações limites de identidade não deixa de cair, como esperado, na mensagem humanista de igualdade e paz. Mesmo andando muitas vezes no limite do besteirol, acaba sendo uma boa comédia. Talvez nem tanto pela capacidade de ser engraçado, mas pela abordagem divertida de questões tão sérias de nosso tempo.

Quando certas coisas se tornam sérias demais no mundo, só o humor é capaz de nos salvar do patético ao nos revelar o absurdo em que nos afundamos. E essa função "Santa Paciência" cumpre até com certa coragem e ousadia.
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2 comentários:

E daí?? disse...

Olha eu gostei muito desse blog. O assunto aqui é o que eu gosto CINEMA!! fiquei na dúvida esse é do Blogger ou do Wordpress?

Rogério de Moraes disse...

Olá. Obrigado. Fico feliz que tenha gostado. O blog é do blogger. Abraços.

 

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