quinta-feira, setembro 22, 2011

Borboletas Negras


 Black Butterflies
Paula van der Oest
Alemanha/Holanda/África do Sul, 2011
100 min.

Usada em algumas transições do filme, a imagem das ondas do mar quebrando com estrondo nas rochas imóveis é recorrente. Há nesta imagem uma grande força eruptiva. O mar, indomável senhor das paixões volumosas, em incessante e vão combate contra as rochas duras. Em “Borboletas Negras”, filme que estreia nesta sexta (23), o embate da alma - e da poesia - de Ingrid Jonker (interpretada por Carice van Houten) contra a aspereza de seu pai terá a mesma persistência e a mesma inocuidade das ondas contra as pedras.

O filme foca os últimos – e talvez mais intensos – anos da vida desta poetisa sul-africana, sua relação conflituosa com o pai e consigo mesma. Ela, uma escritora tomada pelas paixões, defensora do ideário da liberdade e igualdade; ele, um influente censor do governo sul-africano, defensor do regime do “apartheid” vigente no país. Atuando como um registro quase distanciado e pouco emotivo dos conflitos, traumas e tragédias na vida de Jonker, a narrativa tem seu centro de gravidade na conturbada relação dela com o escritor Jack Cope (Liam Cunningham).

Essa relação servirá como notável contraponto, evidenciando a instabilidade emocional da jovem Ingrid em contraste com o equilíbrio centrado do escritor mais velho. Embora o filme não explore de forma mais intensa as causas da instabilidade da escritora, não deixa de lançar pistas que as enraíza na relação dela com o pai. Interpretado pelo ator Rutger Hauer, que faz uma caracterização precisa composta da dureza inabalável e ríspida sobre uma tênue afetividade oculta, será a figura paterna o rochedo com que se debaterá permanentemente a erupção poética de Jonker.

Apesar de uma história rica em possibilidades, o filme as explora mal. O ritmo da narrativa e a necessidade de conter uma larga faixa de vida (e emoções) no tempo de Jonker, acaba por diluir muito de sua profundidade. Mesmo com atuações excelentes – especialmente Cunninghan, que na figura de Cope toma a tela sempre que está em cena, exercendo uma força magnética e poderosa – o resultado é muito abaixo do que se pode entrever na trama e na história de seus personagens.

Não deixa, contudo, de ser um registro válido da vida de uma importante escritora e de um importante – e triste – momento histórico, mesmo que pouco aprofundado pelo filme. Ingrid Jonker, que cometeu suicídio em 1965, teve o maior reconhecimento de sua obra ao ter seu poema “"The Child (who was shot dead by soldiers at Nyanga)” lido por Nelson Mandela na abertura do primeiro parlamento democrático da África do Sul, em 1994. O poema foi escrito após Ingrid presenciar o assassinato de uma criança negra por soldados do regime.
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2 comentários:

paula disse...

Boa noite,

Como é que eu poderia comprar este filme?

Obrigada

Linda Neto disse...

Também estou interessada em adquirir este filme. Dou aulas de Poesia Séniores e já falei dele aos alunos. Seria ótimo eles terem acesso a este filme

Obrigada

 

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