Medianeras
Gustavo Taretto
Argentina/Espanha/Alemanha, 2011
95 min.

Conhecemos então Martín (Javier Drolas). Isolado em seu pequeno
apartamento, ele trabalha como web designer e pouco sai de casa. Martín sofre
de algumas neuroses, tem medo de elevador, ataques de pânico. Em tratamento, sai
de casa apenas para ir ao psicanalista, fazer natação ou levar o cão para
passear. Também se recupera de uma desilusão: a noiva, que foi passar uns dias
nos EUA, decidiu ficar por lá.

Martín e Mariana vivem sua solidão de modos diferentes.
Enquanto ele preenche o vazio de sua vida com banalidades e distrações (jogos,
coleções, internet), ela experimenta de forma muito mais intensa esse vazio;
chora, enclausura-se. Sua companhia é o silêncio, cigarros, manequins, plásticos
bolha.
Ambos ensaiam novos relacionamentos. Uma calada e distante
garota que leva cachorros para passear, a música do piano de um vizinho que
nunca se viu. Em maior ou menor grau, são relações abstratas. Seus “silêncios” e
seus “ruídos” deixam transparecer o quanto não preenchem, o quanto são
artificiais.

Estreia do diretor Gustavo Taretto em longa metragem, o
roteiro enxuto e a narrativa dosada trabalham com inteligência, humor e carisma
a solidão desses personagens. Apesar das semelhanças e da proximidade
geográfica entre eles, é a cidade - e seus edifícios - que os distanciam.
Na
ironia dessa cidade, muitas vezes se cruzam na multidão, mas não se veem. Um
paradoxo poético, azeitado com a delicadeza dos personagens, uma direção de
grande sensibilidade e um final criativo.
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