quinta-feira, julho 28, 2011

O Casamento do Meu Ex



The Romantics
Galt Niederhoffer
EUA, 2010
95 min.

O título desse filme pode fazer crer que se trata de uma comédia romântica, mas não se engane. Embora tenha momentos divertidos e seja um filme leve, “O Casamento do Meu Ex” é na verdade um drama romântico. Tem, claro, alguma graça. Mas sua melhor qualidade não é o riso, é lidar com alguns sentimentos de forma suave, com bons diálogos, personagens cativantes e um desfecho pouco óbvio.

Katie Holmes interpreta Laura, uma jovem escritora que vai ao casamento de dois grandes amigos: a contida e pragmática Lila (Anna Paquin) e o emocional e expansivo Tom (Josh Duhamel). Junto com outros cinco amigos que também chegam para a festa, eles formam o que eles mesmos chamam de “Os Românticos” (daí o título original The Romantics), amigos desde os tempos da faculdade e que no passado se relacionaram diversas vezes entre si, sem que jamais deixassem de serem amigos.

Dessas “trocas” de pares, a mais recente e marcante foi o namoro de cinco anos entre Laura e Tom. Um relacionamento que parece ter acabado de forma abrupta e mal resolvida. Com a chegada de todos para o casamento, cresce uma tensão inevitável entre o casal de ex-namorados. Essa tensão afetará a todos de alguma forma, levando-os a discutirem de forma franca suas próprias relações e o rumo que suas vidas vão tomando.

A diretora Galt Niederhoffer, que adaptou o roteiro de seu próprio romance (homônimo ao título original do filme), realiza uma direção que acentua a ambivalência das dúvidas e insegurança dos personagens, evitando torná-los previsíveis. Embora essas dúvidas e inseguranças surjam a partir de Laura e Tom, os “ex” do filme, ela acabam afetando a todos os outros casais, que na melhor sequência do filme reformulam os pares e discutem suas expectativas, desejos e inseguranças.

É nesse miolo do filme que o trabalho da diretora se mostra mais competente, ao estabelecer nessa sequência fragmentada em cada casal, uma tensão sexual cheia de promessas de obviedades que não se confirmam. Ao decepcionar o óbvio, nos entrega personagens mais críveis, e também mais carismáticos. Pena que ao se deter com mais atenção no par principal da trama, a diretora não explore ao máximo a potencialidade do elenco e das situações que o reencontro e os seguintes desencontros entre os demais casais possibilita. É algo que se perde.

Já Katie Holmes está muito bem no papel de uma irresoluta apaixonada, dividida entre a mágoa e o desejo. Claro que isso não é explorado a um fundo dramático pesado, mas trabalhado de forma leve e romântica. A química entre ela e Duhamel é muito boa e a sequência em que travam uma franca e espinhosa conversa, cheia de entrelinhas, olhares, desejos e impossibilidades reafirmadas é o melhor momento do filme.

Embora não escape de alguns clichês típicos de filmes de casamento - como brindes constrangedores, ansiedade pré-cerimônia e a velha expectativa em saber se um dos noivos desistirá na hora decisiva -, o filme repara esses defeitos com um desfecho que, ao menos como estilo, é menos óbvio do que costuma ser.

Com atuações em grande sintonia e uma condução azeitada da direção, “O Casamento do Meu Ex” é um filme saboroso, romântico sem chafurdar na pieguice e divertido sem precisar cair no ridículo. Não é obra-prima ou obra de mestre, apenas um bom filme do qual não se sai arrastando correntes ou carregado de enfado. Em tempos de tanta bobagem ruim, é sempre bom alguma bobagem boa, para nos divertir e fazer sorrir.
--

Homens e Deuses




Des Hommes et des Dieux
Xavier Beauvois
França, 2010
122 min.

No filme “Homens e Deuses” a fé religiosa se apresenta ancorada na fibra do caráter e na retidão do pensamento. Ela não é uma dádiva fácil ou um conto para tolos. É antes de tudo uma forja, necessária e algumas vezes fugidia, que pode estar ligada a conceitos não tão distantes como a ética. Porque antes de acreditar em Deus é preciso acreditar no homem.

Em um mosteiro católico no interior da Argélia, monges franceses realizam um trabalho humanitário de assistência à comunidade do entorno, toda ela mulçumana. A importância e harmonia desse trabalho, e seu reconhecimento por parte da população, é tão grande a ponto dos habitantes locais dizerem que o vilarejo só existe por causa do mosteiro. Tudo se dá com grande respeito pela fé de cada um, numa relação quase idílica.

Mas o medo passa a rondar o vilarejo quando uma facção islâmica radical inicia atos de terror na região, promovendo chacinas e retaliações a qualquer um que se mostre flexível na interpretação das leis do Islã. Quando o governo oferece proteção ao mosteiro ela é recusada pelo líder dos monges, que não admite receber ajuda de um governo que julga corrupto e tão assassino quanto os terroristas.

Inicia-se assim, entre os monges, um debate sobre permanecer ou fugir. Divididos, alguns monges se revelarão, nesse momento de real desafio e necessidade de fé e caráter, fracos e temerosos. Especialmente no que se refere à possibilidade da morte. Um temor que descortina a fragilidade da fé e da convicção na missão sacerdotal.

Mesmo os que se mostram desde sempre convictos de seu propósito sofrem o peso da dúvida, o peso da responsabilidade de suas atitudes, decisões e posicionamentos, pois o que está em jogo são vidas humanas. Ficar ou partir está além de uma escolha simples, envolve a comunidade que precisa deles, mas, acima de tudo, envolve suas convicções sacerdotais e sua missão cristã.

Diante desse infortúnio de ordem espiritual e mundana (a fé na missão e a possibilidade de morrer em nome dela) levará todos a uma dolorosa reflexão e à busca pelo elo perdido entre eles. Seja pela fé que alguns deles julgavam ter e veem-se súbito abandonados, seja pela difícil decisão firme de se posicionar e resistir.

O diretor Xavier Beauvois trabalha essa complexa questão de busca e redescoberta com uma narrativa que extrai da imagem a simbologia do homem como parte da grande obra divina. Obra essa que se mostra no detalhe do trabalho simples, na natureza rica em falsos silêncios e cujos ruídos são o testemunho dessa obra. São composições e enquadramentos de simbologia e beleza extrema, momentos em que através da imagem vemos o homem em perfeita comunhão com a natureza na busca de respostas para suas aflições.

Contrapõe-se ao cotidiano os momentos de orações e recolhimento dos monges, numa alternância que parece querer equilibrar o trabalho e a vida cotidiana com a comunhão com Deus. No início parecem coisas distintas, mas ao longo do filme ganham a dimensão de uma coisa só, única e indissolúvel.

Entre uma coisa e outra, há o enfrentamento dos problemas cotidianos, há que prestar assistência média à comunidade, cuidar dos animais lidar com a missão. É com esses elementos diversos que o filme compõe um quadro de beleza humana rara, pelo qual a fé será restituída quando da consolidação do caráter. Somente assim as convicções serão resguardadas e o enfrentamento do medo, da morte e de todas as coisas será possível entre eles, homens de fé e trabalho humanitário.

Quando passam a acreditar em si próprios, passam a acreditar de fato em Deus. E quando isso acontece tudo se torna cristalino. Beauvois se baseou em fatos reais ocorridos em 1996 para realizar seu filme. Consegue assim criar uma obra que nos carrega pela contemplação e compreensão da fé, mas também em um protesto político e denúncia do terror e do absurdo.

“Homens e Deuses” é um filme que diz muitas coisas, nem sempre com palavras, nem sempre fáceis de entender. A mim trouxe, entre outras coisas, a mensagem de que a crença, a fé, seja ela no que for, transforma e fortalece o homem. E o mundo precisa muito de homens transformados e fortalecidos.
--

quarta-feira, julho 27, 2011

Promoção Eu, Cinema: Onde Está a Felicidade?

Ganhe um par de ingressos para a pré-estreia oficial do filme “Onde Está a Felicidade?”.


O Eu, Cinema vai sortear um par de ingressos para a pré-estreia oficial do filme “Onde Está a Felicidade?”, que acontecerá no próximo dia 09 de agosto, no Shopping Iguatemi, às 21h00.

Para participar, basta enviar um e-mail para eucinema@terra.com.br respondendo à pergunta: Onde você encontra sua felicidade?. No e-mail também deve constar seu nome , número do RG e endereço completos. O autor da resposta mais criativa receberá em casa um par de ingressos para a pré-estreia do filme.

Mas atenção: a promoção é válida apenas para residentes na cidade de São Paulo. O prazo para participar da promoção é até o dia 03 de agosto, às 22h00. O resultado da promoção será divulgado aqui no Eu, Cinema no dia do encerramento às 23h00. Participe!

terça-feira, julho 26, 2011

Breviário da Semana Nº 08

Um semanário muito breve 


Deve chegar em breve aos cinemas Um Sonho de Amor, de Luca Guadagnino, um ótimo filme sobre família, paixão e tragédia. Mais uma vês, o título nacional colabora para uma ideia errada do filme. Não é uma comédia romântica, nem um filme sobre romance. Nada de açúcar. É filme equilibrado, narrativa sem pressa e uma atuação impecável de Tilda Swinton.

A Mulher de Todos
Em casa vi O Livro de Eli, com Denzel Washington. Um filme pós-apocalíptico que fala sobre fé e redenção, mas construído sobre os pilares do western. Denzel está bem, como quase sempre, e embora o filme peque por algumas superficialidades, é muito competente na construção de uma atmosfera apocalíptica através da fotografia. Uma grande qualidade do filme é não perder tempo com explicações sobre o que aconteceu com o mundo e se focar na demanda do protagonista e sua missão pessoal. A participação de Gary Oldman como uma espécie de xerife ditador e terrível contribui muito para o filme.

Mais que um estudo do cinema nacional, um prazer imenso ver mais um filme do Rogério Sganzerla. A Mulher de Todos segue a mesma linha anárquica, desconstrutiva e provocativa do cinema de Sganzerla. É assombroso ver como a atriz (e esposa do diretor) Helena Ignês, que interpreta Ângela Carne e Osso, tem um magnetismo poderoso nesse filme. Sua atuação, sua presença cênica é feroz e hipnotizante. Gênio, esse Sganzerla.

A Partida
Homens e Deuses, de Xavier Beauvois, é um filme que conseguiu produzir em mim uma experiência de intensidade incrível. Poucas vezes a questão da fé e, acima disso, de caráter e convicções foi tão exemplarmente abordada. Um filme inteligente, sensível, elaborado e vivo. Acho que se perde um pouco no fim, quando poderia resolver mais rapidamente a história. Mas é um grande filme.

O japonês A Partida, de  Yôjirô Takita, trata da morte com uma proximidade física intensa. Nesse ponto, pode até assustar no início os mais frágeis ou sensíveis com o tema. Mas logo se mostra um sentimental e belo filme sobre aceitação, perdão e compreensão. É um tanto melodramático demais, tem problemas de exageros e repetições. Porém, merece ser visto como um bom filme que aborda o ritualismo da cultura japonesa em algo quase tabu para a maioria das culturas: os ritos funerários. Apesar de vários escorregões, seja na atuação, na trilha sonora e na composição de alguns planos, pode ser uma experiência interessante e muito sentimental sobre nossa relação com a morte.

Homens e Deuses
Na cabine de imprensa de Melancolia, de Lars Von Trier, que estreia no próximo dia 5 de agosto, vi um filme intenso, mas que ainda me amedronta, na medida que não o domino. Dividido em duas partes, fala sobre depressão, mas também é um filme sobre o fim do mundo. O modo como cada um dos personagens lida com essas coisas (a depressão como algo inoportuno no outro ou algo inerente em si e o fim do mundo como algo aceitável – e até desejável). Vi também algumas conotações sexuais sobre as quais preciso refletir melhor. Mas é filme que tem de ser visto e comentado.

O peruano Outubro, dos irmãos Daniel e Diogo Veja é repleto de uma secura típica de vidas ásperas e solitárias. Seus personagens são figuras cuja pobreza não se reflete apenas no material, mas também nos gestos. Filme de planos simples, mas eficazes, compõe uma narrativa em que se percebe que há possibilidades de afeto e carinho mesmo entre pessoas tão duras. Um filme digno, competente e simples.

Um Sonho de Amor
Assalto ao Banco Central, de Marcos Paulo, tenta sem sucesso emular um gênero hollywoodiano, o de assaltos planejados com inteligência, ousadia e sem violência. Mas o filme escorrega em muitos detalhes, desde o roteiro capenga até a trilha sonora equivocada. Consegue ser divertido com algumas tiradas e alguns personagens, mas é superficial demais e precário demais como narrativa e como gênero de cinema. Deixa de lado muitas coisas importantes, como a passagem do tempo bem trabalhada, o ápice do desafio, a função de cada elemento do bando, as dificuldades da execução. É filme para se ver e esquecer depois de cinco minutos, sem ao menos a vantagem de se ter aproveitado alguma emoção durante sua duração.
--

quinta-feira, julho 21, 2011

Vejo Você no Próximo Verão



Jack Goes Boating
Philip Seymour Hoffman
EUA, 2010
90 min.

De um afetado playboy em “O Talentoso Ripley” a um gélido vilão que rouba a cena em “Missão Impossível III”, passando pelo escritor americano Truman Capote em “Capote”, Philip Seymour Hoffman sempre se mostrou um ator versátil e competente. Agora, com o filme “Vejo Você no Próximo Verão” - que entra em cartaz na próxima sexta (22) - além de atuar, ele também estreia na direção. Uma estreia em que mostra a mesma competência, realizando um filme de camadas sutis sobre relacionamento, expectativa, confiança e frustração.

Hoffman interpreta Jack, um sujeito tímido e solitário que adora música reggae e trabalha como motorista de limusines de aluguel. Seus únicos amigos são Clyde (John Ortiz), companheiro de trabalho, e sua esposa Lucy (Daphne Rubi-Vega), que trabalha em um escritório que oferece palestras e seminários para agentes funerários.

Tentando ajudar Jack a encontrar um par romântico, Clyde e Lucy realizam um jantar para apresentá-lo à retraída Connie (Amy Ryan), a nova colega de trabalho de Lucy. A partir desse encontro nasce um hesitante namoro entre dois estranhos carregados de insegurança, que buscam afeto e aceitação.

A deixa para que surja essa relação, inicialmente vacilante, vem de uma conversa casual entre Jack e Connie, quando comentam sobre a expectativa da chegada do verão, embora ainda estejam no início do inverno. De maneira absolutamente aleatória, Jack comenta como seria legal um passeio de barco no verão, no que Connie concorda. É o que basta para Jack tentar superar seus medos e começar a aprender a nadar com seu amigo Clyde.

Essa ansiedade em se preparar para um encontro imaginado para dali a seis meses revela traços da insegurança e desajeitamento de Jack em lidar com emoções e relacionamentos. Algo quase inédito para ele. Esta ansiedade e obcessão aumentam quando, num outro momento, ele e Connie cometam sobre jantar juntos em breve. Ao ouvir ela dizer que ninguém nunca cozinhou para ela antes, Jack se aplica em um novo objetivo: aprender a cozinhar um prato perfeito para Connie.
 
Em paralelo aos esforços de Jack com Connie, está o casamento de Clyde e Lucy. Afetados pela quebra de confiança causada por um caso extraconjugal, o casal sofre o desgaste da relação, que se deteriora por dentro e sem grandes aparências, como algo retido e cozido no caldeirão das mágoas. Essa deterioração vai explodir num momento crucial, de forma áspera e sem retorno.

Enquanto isso, vemos Jack em um esforço sincero e dedicado para atender as expectativas de Connie. Nesse processo de aproximação estão em jogo a confiança e a cumplicidade que se vai criando entre ambos, no modo como tateiam por uma intimidade difícil de alcançar em razão de suas personalidades tímidas e problemáticas. São barreiras complexas e delicadas, que envolvem traumas e inseguranças.

Entre o declínio da confiança e cumplicidade do casal Clyde e Lucy e a construção dessa mesma confiança e cumplicidade em Jack e Connie, o filme vai se compondo como uma lírica passagem do tempo, em que o aprendizado do outro e de si mesmo é explorado na tela com beleza, delicadeza e uma trilha sonora muito bem escolhida.

“Vejo Você no Próximo Verão” não é um filme de grandes obviedades. Trabalha muito mais no campo da imagem, do sentimento. A interpretação de Hoffman é tocante e sincera. A cena final, construída entre a tensão que precede a explosão é realizada de modo inesperado. É dura, dolorida. Mas encerra o processo que se desenvolve durante todo o filme, entre a construção de uma relação de afeto e a dissolução do mesmo afeto em outra relação.

Ainda que não seja um trabalho à prova de críticas, com algumas superficialidades e artificialismos pontuais no roteiro, esta estreia de Philip Seymour Hoffman na direção é auspiciosa. Pela delicadeza de conduzir uma história honesta sobre solidão e desvelamento, confiança e afeto, e pela abordagem que foge de clichês e se mostra competente, atuando no subjetivo das relações, sem se entregar a obviedades.
--

A Inquilina



The Resident
Antti Jokinen
Reino Unido/EUA, 2011
91 min.

“A Inquilina”, filme que estreia nesta sexta-feira (22), começa como uma boa promessa de medo, suspense e terror. Entretanto, quando tudo termina, está transformado em um esquecível filme de sustos ralos e suspense esvaziado. Essa conversão de um bom filme - capaz de criar tensão e expectativa - em algo absolutamente comum e sem grandes atrativos, acontece de forma clara em um momento preciso, pouco antes da metade.

Juliet (Hilary Swank) é uma médica plantonista em Nova York que procura um apartamento para alugar. Ela vem de uma decepção amorosa e sente-se fragilizada. Depois de alguma procura, encontra um apartamento excelente no bairro do Brooklin e a um preço amigável. Mais do que isso, conhece Max (Jeffrey Dean Morgan), proprietário e zelador do prédio. Max é um charmoso, simpático e prestativo vizinho por quem Juliet, naturalmente, passa a se sentir atraída.

Até o final do primeiro terço do filme, a narrativa consegue criar um clima de suspense bastante bom, investindo em uma atmosfera de prédio antigo, com rangidos, frestas de portas e uma ameaçadora impressão de se estar sendo observado. Esta paranoia, lentamente, começa a afetar Juliet, que se esforça por não se deixar levar pelo momento frágil pelo qual passa.

Nesse meio tempo, surge um flerte com o charmoso Max. Nesse clima de romance, o filme também se mostra competente, aproveitando muito bem a sensualidade contida de uma Hilary Swank em ótima forma física. Com seu rosto quadrado, de beleza endurecida, a atriz convence em sua fragilidade e sedução hesitante. O bonitão Max, com gentilezas e boa conversa, também se mostra bem colocado no papel de solteirão cheio de charme.

Entre o clima de romance e a tensão de uma espreita permanente, o filme tem tudo para distender o suspense e ampliar sua atmosfera de mistério e terror. Mas entrega todo o mistério em um único flashback, que esvazia toda tensão e expectativa. Ao revelar cedo demais o que realmente ocorre, estraga qualquer surpresa e tenta se sustentar por sustos e por uma expectativa que não existe mais.

Com esse roteiro, “A Inquilina” abre mão de ser um bom suspense, cheio de tensão e medo, para se transformar num thriller comum e sem sal de perseguição e obcessão. A partir do momento que entrega todas as chaves, declina qualquer interesse, contentando-se em levar até o fim uma história desgastada e incapaz de gerar qualquer grande emoção.

O filme entra para o hall de obras que contavam, em seu início, com uma ótima promessa de roteiro e direção, mas que optaram, no meio do caminho, por cair na mesmice e destituir-se de qualquer atributo emocionante. Supõe causar medo, emoção e suspense quando tudo que consegue é nos fazer esperar, impacientes, pelo fim. Óbvio, previsível, insosso. O que incomoda não é terminar tão banal, mas enveredar por esse caminho depois de ter começado tão bem.
 --

quarta-feira, julho 20, 2011

Vilões de Harry Potter e Assaltos Inacreditáveis

Duas de minhas últimas colaborações para a Época São Paulo 
-- 
Relembre os vilões e criaturas que Harry Potter enfrentou
Com a chegada aos cinemas da última parte da saga, é hora de relembrar alguns desafios que o bruxo enfrentou até aqui. Para ler, clique aqui.


Assalto ao Banco Central: conheça outros cinco filmes sobre roubos engenhosos
Filme dirigido por Marcos Paulo, que estreia na sexta (22/7), aposta no gênero que já rendeu outros sucessos de Hollywood. Para ler, clique aqui.




segunda-feira, julho 18, 2011

Homenagem ao ator Sérgio Hingst trás filmes importantes do cinema nacional

Com mais de 100 filmes no currículo, ator falecido em 2004 tem mostra em sua homenagem na Cinemateca.

A Cinemateca Brasileira exibe de 19 de julho até 04 de agosto a mostra Sérgio Hingst – Um Ator de Cinema. A mostra faz parte de iniciativa da Cinemateca em visitar a história do cinema brasileiro através de seus personagens menos conhecidos.

Tendo participado de mais de cem filmes, Sérgio Hingst esteve presente em importantes momentos do cinema brasileiro. Atuando quase sempre como coadjuvante, protagonizou poucos filmes, mas ao longo da carreira foi diversas vezes premiado. Trabalhou com diretores como Walter Hugo Khouri, Sylvio Back, Roberto Santos, Rogério Sganzerla e Rubem Biáfora.

Na programação da mostra, alguns títulos se destacam, seja pela qualidade, seja pela relevância como retrato de determinado momento do cinema nacional. Filmes de qualidade artística indelével fazem par com obras inesquecíveis de nossas comédias eróticas. Em ambos extremos, a suma importância para a memória do cinema brasileiro.

Imperdível
Assim, torna-se imperdível um filme como “Aleluia Gretchen” (1976), de Sylvio Back, que retrata os dramas de uma família de imigrantes alemães que vêm para o Brasil fugindo do nazismo. O filme recebeu diversos prêmios e foi escrito por Back em parceria com Manoel Carlos, hoje autor de novelas. A montagem do longa é assinada por Inácio Araújo, hoje um dos críticos de cinema mais respeitados do país.

Tão imperdível quanto é “Histórias que Nossas Babás não Contavam” (1979), de Osvaldo de Oliveira, uma adaptação erótica do clássico infantil “Branca de Neve e os Sete Anões”. Outros destaques são o anárquico e debochado “O Bandido da Luz Vermelha” (1968), de Rogério Sganzerla, o denso e asfixiante “Estranho Encontro” (1957), de Walter Hugo Khouri e o “nouvellevaguista” “O Quarto” (1968), de Rubem Biáfora. Este último abre a mostra, dia 19 às 20:30, com a presença de Bruno e Sara Hingst (filho e viúva do homenageado) e do professor da FAAP Maximo Barro, autor de uma biografia de Sérgio Hingst e um dos maiores conhecedores da história do cinema nacional.
--
Serviço:
Mostra Sérgio Hingst – Um Ator de Cinema
Cinemateca Brasileira
Largo Senador Raul Cardoso, 207
Tel.: (11) 3512-6111 (ramal 215)
Ingressos: R$ 8,00 (inteira) / R$ 4,00 (meia-entrada)
Mais informações, acesse: http://www.cinemateca.com.br

Breviário da Semana Nº 07

Um semanário muito breve.


Na semana passada, na Mostra Hitchcock, vi apenas um filme. Trama Macabra, de 1976, é um filme recheado de humor. Um casal de vigaristas precisa encontrar uma pessoa desaparecida há 40 anos para receber uma bolada. O problema é que o desaparecido não quer ser encontrado e está disposto a tudo para tirar os dois do caminho. Não é um dos grandes filmes do mestre, mas tem a qualidade que o selo Hitchcock garante. Fez com que eu pensasse que muito se fala em Hitchcock como mestre do suspense, mas pouco se fala de seu humor sutil, muitas vezes sinistro, mas sempre presente em seus filmes.

Trama Macabra
No Festival de Cinema Latino Americano, vi alguns. Da homenagem ao escritor colombiano Gabriel García Márques, A Lagosta Azul, única experiência de “Gabo” na direção cinematográfica, é um filme mudo de 30 minutos que remete ao surrealismo do cinema dos anos 20. É cinema experimental.

Em seguida, vi uma adaptação de sua obra, dirigida pelo cubano Fernando Birri em 1988. Um Senhor Muito Velho com Umas Asas Enormes segue a linha do realismo fantástico presente na literatura latino americana e que às vezes permeia também seu cinema. Numa vila à beira-mar, uma noite surge um homem velho com grandes asas que é capturado e exibido como atração paga.

Também no Festilatino, o argentino Pizza, Cerveja, Cigarro (1997), de Adrian Caetano e Bruno Stagnaro, é um filme urbano, passado em Buenos Aires. Tem problemas de ritmo e o roteiro engasga muito ao longo do filme. Só fica bom no final, quando a última cena alcança uma beleza de triste realidade trágica. Também peguei um filme da homenagem a Orlando Senna. Coronel Delmiro Gouvêa (1978), de Geraldo Sarno, com roteiro coassinado por Orlando Senna, retrata a figura de homem que quis levar o progresso para Pernambuco. Delmiro Gouvêa enfrentou governos e empresas estrangeiras, mas acabou assassinado a bala misteriosamente.

A Lagosta Azul
Para finalizar, revi Gainsbourg – O Home que Amava as Mulheres (2010), de Joann Sfar. Continuo achando uma obra que merece ser vista, ou melhor, apreciada. Tem uma beleza estética, narrativa e musical imensa. Reforça o mito e deixa de lado a realidade. Laetita Casca, como Brigitte Bardot está exuberante e Eric Elmosnino na pele de Gainsbourg, além da semelhança física, atua de forma impecável.
--

quinta-feira, julho 14, 2011

O Explosivo Cinema Coreano em Mostra do CCSP

Ação, violência, enfrentamentos internos e vingança são temas comuns nos filmes coreanos que o Centro Cultural São Paulo exibe a partir de amanhã.


Coreia, cinema explosivo: o thriller de vingança” é o título da mostra de cinema coreano que começa amanhã (15) e segue até o dia 30 em São Paulo. Pelo segundo ano consecutivo, a parceria entre o Centro Cultural São Paulo e o Consulado da Coreia do Sul apresenta uma seleção de filmes coreanos ainda inéditos por aqui. A mostra exibe também uma retrospectiva do diretor Park Chan-wook, vencedor do prêmio especial do júri em Cannes 2004, com seu filme “Old Boy”.

O cinema produzido na Coreia do Sul nas últimas décadas tem chamado a atenção no mundo todo. Há nele uma estética, uma narrativa e uma pulsação como poucas vezes se viu. Essa nova geração de cineastas dá bilheteria, amealha prêmios pelo mundo e arrebata fãs ávidos por um cinema que não dispensa influências dos filmes de ação de Hollywood, mas que também bebe da fonte de cinematografias mais densas como a francesa e japonesa.

Entre os destaques da mostra, está o elogiado “Mother – A Busca Pela Verdade”, do diretor Joon-ho Bong, que narra o drama de uma mãe que vê seu filho acusado de assassinar uma garota e que para provar sua inocência está disposta a tudo. Outro destaque é a retrospectiva do diretor Park Chan-wook, que entre outros filmes exibe o intenso e vampiresco “Sede de Sangue”, alem da trilogia da vingança, composta pelos filmes “Simpatia pelo Sr. Vingança”, "Old Boy” e “Lady Vingança”.
--
Serviço:
Centro Cultural São Paulo
Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso
(ao lado da Estação Vergueiro do Metro)
Ingressos: R$ 1,00
Tel: 3397-4002
Mais informações, acesse: http://www.centrocultural.sp.gov.br

terça-feira, julho 12, 2011

Onde Está a Felicidade?



Onde Está a Felicidade?
Carlos Alberto Riccelli
Brasil/Espanha, 2011
110 min.

A plateia riu. Muito. Aplaudiu duas vezes em cena aberta e com entusiasmo no final. A se levar em conta o gosto do grande público, “Onde Está a Felicidade?”, de Carlos Alberto Riccelli, exibido no Festival de Cinema de Paulínia, vai fazer sucesso. Tem potencial para isso, como se comprovou pela reação do público, termômetro mais que qualificado.

Quanto a mim, ri menos. Mas ri. Nas safras recentes de comédias nacionais, poucas conseguem isso. Fazer rir. Quando um filme se propõe como comédia leve e consegue ser comédia leve, já é alguma coisa.

Na trama, Teodora (Bruna Lombardi) é uma apresentadora de um programa de culinária afrodisíaca. É casada com Nando (Bruno Garcia), que também trabalha na televisão, em um programa sobre futebol no estilo “mesa redonda”. Ela não está feliz. Seu casamento não vai bem e seu emprego está ameaçado. Quando descobre que o marido tem um caso virtual e que seu programa sairá do ar porque a emissora foi vendida, perde o rumo. Confusa, quer se reencontrar espiritualmente. Decide ir para a Espanha, percorrer a pé os quase 800km do Caminho de Santiago de Compostela.

Com ela vai Zeca (Marcelo Airoldi), seu diretor no antigo programa, também demitido e empolgado com a ideia de gravar a peregrinação e transformá-la em um programa de TV. Aos dois, junta-se Milena (a atriz espanhola Marta Larralde), uma jovem atrapalhada disposta a fazer a peregrinação. Enquanto isso, no Brasil, Nando curte a dor de cotovelo pela ausência da esposa, desabafando com seus colegas de trabalho.

“Onde Está a Felicidade?”, que estreia nos cinemas dia 19 de agosto, é o terceiro filme em que Carlos Alberto Riccelli trabalha com a esposa Bruna Lombardi. Sempre no mesmo formato: ele na direção, ela como roteirista e atriz. O primeiro filme nesse formato, “Stress, Orgasms and Salvation”, de 2005, é uma comédia filmada na Califórnia, mas que nunca foi lançado no Brasil. De 2007 vem “O Signo da Cidade”, um drama no qual os destinos de vários personagens se cruzam na cidade de São Paulo.

Agora, com “Onde Está a Felicidade?”, Bruna e Riccelli retornam à comédia. O filme é pintado em cores fortes, especialmente nos cenários e nos trajes de Teodora e Milena. A referência é clara aos primeiros filmes de Pedro Almodóvar. Mas fica por aí a semelhança. O humor construído no filme de Riccelli e Bruna é bem menos ácido, contestador ou transgressor. Mas é um humor que, entre clichês, piadas fáceis e estereótipos, funciona bem.

Pontos altos do filme são os diálogos machistas entre Nando e os amigos do trabalho. Embora sigam a linha clichê machista, são bem escritos e o elenco de apoio tem ótimo time para esse tipo de humor. Para dar equilíbrio, as trapalhadas de Teodora, Milena e Zeca, deve agradar mais ás mulheres. Outro destaque que brilha no filme é o ator Marcelo Airoldi, no papel de um neurastênico diretor de TV. Apesar de em alguns momentos subir um pouco demais o tom caricato, sua atuação quase sempre rouba a cena, comprovando ser ele um dos grandes talentos de nosso teatro.

O filme tem alguns deslizes, especialmente de roteiro, que é o calcanhar de Aquiles de toda comédia romântica. Amarrar o final da história de forma convincente depois de tanta comédia é sempre difícil. No caso de “Onde Está a Felicidade?”, há ainda o agravante de alguns compromissos contratuais do filme. Como, por exemplo, o patrocínio que tiveram do Estado do Piauí. Certamente, para cumprir contrato, o filme tem o seu final em uma “excursão” ao estado, algo que ficou completamente fora de sintonia com o filme, chegando a ser constrangedor o tom “informe publicitário” que as últimas cenas tem.

No geral, este novo trabalho de Riccelli e Bruna tem um grande potencial de público. É comédia que tem graça, o que, como já disse, está ficando raro no cinema nacional. Tem a grande vantagem e franqueza de não se propor a mais que isso: ser comédia. Dentro dessa perspectiva é bom filme, suficiente para minimizar os equívocos e fazer o público sair do cinema satisfeito.
--

segunda-feira, julho 11, 2011

Começa o 6º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo

Com mais de cem filmes e entrada gratuita, festival será exibido em oito salas espalhadas pela cidade.


Começa nesta terça-feira (12) e segue até o dia 17 a sexta edição do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo. Durante o evento, serão apresentados mais de cem filmes entre os programas de mostra contemporânea, mostras de homenagens, especiais, diversidades e documentários para TV.

Os filmes serão exibidos na sede do festival, que fica no Memorial da América Latina, próximo ao Terminal Barra Funda do Metro e em outras seis salas espalhadas pela cidade. Todas as sessões são gratuitas.

Além das duas salas do Memorial da América Latina, também será possível assistir à programação no Cinesesc, Galeria Olido, Centro Cultural São Paulo, Cinemateca Brasileira, Cinusp e Espaço Unibanco de Cinema.

O festival, que nasceu em 2006 com o intuito de promover, através do cinema, um diálogo cultural mais próximo entre o Brasil e os países latino-americanos, trás em sua mostra contemporânea um panorama da produção cinematográfica que se realiza nesses países.


Especiais

Como não só de mostra contemporânea se faz um festival, a programação desse ano realiza algumas mostras especiais e as tradicionais homenagens.

Entre as especiais, destaque para a Mostra Novo Cinema Argentino, que faz um breve retrospecto de 11 filmes realizados entre 1995 e 2008 na Argentina. Nomes fundamentais desse cinema como Lucrecia Martel, Pablo Trapero e Daniel Burman terão algumas de suas obras exibidas.

Outro destaque importante é a mostra “Soy Loca Por Tí América”, seção dedicada á diversidade sexual e que será permanente, trazendo para o Memorial filmes que abordam o universo e a nova formatação da família sob o aspecto da diversidade sexual.


Homenagens

Nas homenagens, o tributo internacional será para o escritor colombiano e ganhador do Prêmio Nobel de Literatura Gabriel García Márques. Já a cortesia nacional será para o diretor e roteirista baiano Orlando Senna.

“Gabo”, como é carinhosamente chamado o escritor colombiano, terá exibido no festival seu único trabalho de direção cinematográfica, o curta-metragem de rara circulação “A Lagosta Azul”, de 1954. Também constam na programação filmes com roteiro de sua autoria, como “A Viúva de Montiel”, de Miguel Littín (1979), “Erêndia”, de Ruy Guerra (1983) e “Ninguém Escreve ao Coronel”, de Arturo Ripstein (1999).

De Orlando Senna, será exibido o clássico do cinema nacional dirigido por ele, em parceria com Jorge Bodanzky, “Iracema, Uma Trans Amazônica” (1976), além de filmes em que foi roteirista como “O Rei da Noite”, de Hector Babenco (1975) e “Coronel Delmiro Gouvea”, de Geraldo Sarno (1979).

Também faz parte da programação do festival uma série de debates e encontros com cineastas e roteiristas abertos ao público. Para maiores informações acesse: http://www.festlatinosp.com.br
--
Serviço:
6º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo
De 12 a 17 de julho de 2011 

Exibições:
Memorial da América Latina
Av Auro S. de Moura Andrade 664, Barra Funda
Fone: (11) 3823-4608

Centro Cultural São Paulo
Rua Vergueiro 1000, Paraíso
Fone: (11) 3397-4002

Cinesesc
Rua Augusta 2075, Cerqueira Cesar
Fone: (11) 3087-0500 

Cine Olido
Av São João 473, Centro
Fone: (11) 3331-8399

Cinusp Paulo Emílio
Rua do Anfiteatro 181 favo 4, Cidade Universitária
Fone: (11) 3091-3540

Espaço Unibanco de Cinema
 Rua Augusta 1475, Consolação
Fone: (11) 3288-6780

Sala Cinemateca
Largo Senador Raul Cardoso 207, Vila Clementino
Fone: (11) 3512-6111 ramal: 215

Breviário da Semana Nº 06

Um semanário muito breve


Numa noite de insônia na semana passada, acabei colocando Taxi Driver, de Marton Scorsese (1976), para rolar no DVD. Não via o filme há cerca de dez anos. Grandes obras são isso, não perdem a força. O filme de Scorsese é uma tensão permanente. A paranoia, obsessiva e desajustada de Travis (Robert De Niro) o torna imprevisível e assustador, mas, de uma maneira muito complexa e sutil, nos permite sentir uma leve empatia pelo personagem. E De Niro está simplesmente perfeito no papel.

Montgomery Clift como o padre de A Tortura do Silêncio
Fui ver Transformers 3O Outro Lado da Lua no cinema. Não cheguei a ver o segundo filme da franquia, que dizem ser muito ruim. Da primeira aventura, tenho boa impressão, especialmente pela capacidade técnica do filme em combinar animação digital e cenários supostamente reais. A ação era boa. E só. Neste terceiro filme, a decepção (já mais que esperada) foi grande. Tecnicamente, o filme continua bom, mas algo já não me convence naqueles efeitos de transformação. O roteiro, claro, é digno de ser esquecido. Tinha a impressão que todo o tempo o filme dizia na minha cara que me achava um idiota, por tentar me fazer crer naquela história rocambolesca. Agrava ainda o fato de o filme se arrastar na maior parte com histórias e mais histórias para justificar toda bobagem. Só engrena no final e, como muito bem disse meu amigo Ronaldo Júnior, no final já é final. Bobo demais esse filme

Bruna Lombardi chora as mágoas do casamento
Na mostra Hitchcock, vi A Tortura do Silêncio, de 1954. Uma trama muito bem engendrada de assassinato, falso culpado e renitência abnegada. No filme, um padre é o principal suspeito de um assassinato. Ele sabe quem é o assassino, mas não pode revelar seu nome pelo segredo da confissão católica. Para piorar, não pode apresentar um álibi da noite do crime por risco de comprometer a honra de uma mulher casada. Ele aceita todos os infortúnios tenazmente até o desfecho final, que é comovente e cheios de simbolismos espirituais sobre a alma.

Como lição de casa, tive que ver O Signo da Cidade, de Carlos Alberto Riccelli (2007). Roteirizado e protagonizado por Bruna Lombardi, o filme, de tom claramente exotérico, mostra como diferentes personagens, dramas e tragédias se cruzam pela cidade de São Paulo, como destinos cruzados. O filme tem um ritmo irregular e não dá tempo para que os personagens se desenvolvam a ponto de criar alguma empatia com o expectador. A música, as imagens e as histórias tentam nos emocionar, mas soam um tanto artificiais por falta de substância dramática ou constitutiva. Para piorar, o filme se arrasta para além de onde deveria terminar.

Robert De Niro como o psicótico Travis
Convidado pela assessoria e produção da Onde Está a Felicidade?, (também uma parceria de direção de Carlos Alberto Riccelli com o roteiro e a atuação de Bruna Lombardi) para ver o filme em sua exibição em concurso no Festival de Cinema de Paulínia, encarei as duas horas de viagem até a cidade, em ônibus fretado pela patrocinadora Telefônica. O filme é divertido, o público que lotou o Teatro Municial de Paulínia gostou (e riu mais do que eu). Talvez por não se levar a sério demais, o filme tem a qualidade de encaixar algumas boas piadas. A atuação de Marcello Airoldi, apesar de em alguns momentos ficar um ou dois tons acima do afinamento, é muito boa no geral, com momentos excelentes. Bruna Garcia mantém seu padrão de comédia. No geral, é um filme com bom potencial de público, quando estrear em 19 de agosto. Em breve, escrevo a crítica completa.
--
 

Eu, Cinema Copyright © 2011 -- Powered by Blogger