quarta-feira, dezembro 07, 2011

As Canções




Eduardo Coutinho, diretor de um dos mais importantes documentários da história do cinema nacional (Cabra Marcado para Morrer, de 1984), também é conhecido por ser um inovador incansável. Seus trabalhos recentes - Jogo de Cena e Moscou -, revelam um inquieto documentarista que explora os limites incertos entre a ficção e o documentário.

Agora, em seu novo filme, As Canções, o diretor repete o esquema de Jogo de Cena, mas sem brincar com a ficção. O resultado soa como algo requentado na forma, mas ainda com muito sabor no conteúdo.

Diante da câmera do diretor, personagens comuns se revezam contando histórias e cantando canções. Estão ali para dizerem – e cantarem – quais músicas marcaram suas vidas e por quê.

Saltam daí histórias dolorosas; de perdas irreparáveis, de remorsos constantes; de vidas marcadas pelo amor, pela paixão e por canções populares. Em alguns casos, é difícil não se emocionar; em outros, o difícil é não rir. Um riso, contudo, único, inquieto, específico. Daquele tipo de riso que guarda na sua soltura um tanto de desconforto e de melancolia.

Essa convivência entre o trágico e o cômico mostra a capacidade que Coutinho tem de explorar a vida em suas singularidades. Seus personagens muitas vezes se contradizem, são confusos em suas narrativas. Todos, no entanto, passam ao diretor e à câmera uma carga rara de sentimento, de verdade, de autenticidade.

Esta é a mão mais firme de Coutinho: a perguntação, a construção de uma relação com o entrevistado que extrai dele uma pureza ímpar que revela o íntimo de forma quase sempre inesperada, autêntica.

Usando as canções como o elo mais forte entre a memória e o sentimento, o diretor evoca o que todos nós guardamos no íntimo, muitas vezes sem nos darmos conta. Como o entrevistado que chora com uma canção que sua mãe entoava na sua infância. Desconcertado, não entende porque foi ás lágrimas, já que sua mãe ainda está viva e bem.

Menos inventivo que os filmes anteriores de Coutinho, As Canções não deixa de ser uma continuação da busca do diretor por subjetividades individuais que rascunham algumas subjetividades universais. Desse modo, revela interesse pelo incerto e nebuloso no ser humano, transformando a verdade em mito ancorado por incertezas.

Assim, nos revela com imensa profundidade nós mesmos, seres humanos feitos de contradições, de imprecisos sentimentos. Seja no documento, no ficcional ou na brincadeira entre os limites de cada coisa, Coutinho nos assombra com a revelação de "eu" coletivo onde nem sempre nos percebemos, onde nem sempre nos damos conta de existir: dentro daquele simples cotidiano repleto de vida e humanidade.

Reside aí seu jogo de espelhos, presente de forma muito mais sutil neste filme. Seu reflexo mais nítido pode ser encontrado na última frase do filme, quando uma entrevistada admite que sua relação com o homem que ama não tem chances de dar certo. Conformada, ela tenta encontrar a felicidade em outro lugar. E diz: "Procurei outro caminho. E continuo procurando". Está aí uma boa tradução para o cinema de Eduardo Coutinho.
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As Canções
Eduardo Coutinho
Brasil, 2010
81 min.

Trailer

terça-feira, dezembro 06, 2011

Noite de Ano Novo



 New Year’s Eve
Garry Marshall
EUA, 2011
118 min.

A fórmula na qual se baseia Noite de Ano Novo não é apenas desgastada, ela também raramente funciona. Por outro lado, é uma receita quase matadora para levar público ao cinema. São basicamente dois ingredientes: um punhado de dramas paralelos e um punhado de astros famosos para interpretá-los.

Em Nova Iorque, na véspera de ano novo, tudo gira em torno da Times Square e da aguardada contagem regressiva. Esse é o pretexto para um desfile de personagens com pequenos e grandes dramas a serem solucionados naquela noite. E são muitos os personagens e os atores conhecidos que se revezam na tela.

Zac Efron (da franquia High School Musical) é um mensageiro que em troca de convites para uma badalada festa irá ajudar uma desanimada Michelle Pfeiffer a realizar algumas determinações de ano novo. Enquanto roda a cidade com ela, tenta ligar para seu amigo, vivido por Ashton Kutcher, que detesta celebrações de ano novo. Mas este amigo está preso no elevador com Lea Michele (da série musical Glee). Ela está atrasada para se apresentar em Times Square como back vocal do astro da música pop Jensel, vivido por Jon Bon Jovi. O cantor, por sua vez, tenta de tudo para se reconciliar com Katherine Heigl (de Ligeiramente Grávidos), a quem abandonou no ano anterior. Mas ela, dona de um Buffet, está mais preocupada em servir uma grande festa privada de ano novo.

Não acabou.

A festa privada é promovida pela abastada família de Josh Duhamel (de Transformers 3), que está preocupado em reencontrar uma garota à meia-noite que pode fazê-lo largar a boa vida de playboy. Enquanto isso, em Times Square, Hilary Swank está no comando dos preparativos da contagem regressiva e de todas as atrações, mas algo mais a aflige, além dos contratempos de seu trabalho. Não muito longe dali, Robert De Niro é um paciente com câncer em estado terminal. Arrependido da vida que teve, só deseja ver a grande bola de Times Square descer mais uma vez. Quem se compadece de suas últimas horas de vida é Hale Barry, que faz uma enfermeira cuja festa de ano novo será melancolicamente incomum.

Em outro hospital (ou talvez no mesmo, a essa altura já não dá pra saber com certeza) Jessica Biel está prestes a dar a luz. Quando ela e o marido, Seth Mayers (do programa Saturday Night Live), descobrem que há um prêmio de 25 mil dólares para os pais do primeiro bebê do ano, passam a disputar com outro casal preste a ter um filho quem dá a luz primeiro. Para completar o desfile estelar, Sarah Jessica Parker faz uma mãe solteira que reluta em deixar a filha de 15 anos ir com os amigos à Times Square ver a virada do ano.

A pergunta que fica depois de tantos cruzamentos, personagens e situações é: sobra espaço para alguma emoção? Claro que não. É simplesmente inviável despertar qualquer sentimento, emoção ou empatia no público depois de uma avalanche como essa. Com tantas histórias, a superficialidade dá o tom do filme, tornando-o completamente insosso.

O que certamente não fica no superficial é a vocação do filme para vender produtos. Isso fica evidente no quase ofensivo número de patrocinadores que praticamente “esfregam” suas marcas na cara do espectador durante todo o filme. Dentre esses, o mais óbvio e menos tangível é a cidade de Nova Iorque e sua “mágica” celebração de ano novo.
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quinta-feira, dezembro 01, 2011

Isto Não é Um Filme




In Film Nist
Jafar Panahi e Mojtaba Mirtahmasb
Irã, 2010
75 min.

O título deste filme não é uma figura de linguagem, é uma verdade. Isto Não é um Filme não é um filme porque seu idealizador, o premiado diretor iraniano Jafar Panahi, está condenado em seu país, proibido de fazer filmes.

Panahi foi condenado a seis anos de prisão, cumpridos até a realização deste filme em regime domiciliar, e proibido de filmar ou escrever roteiros por 20 anos. Jafar é vítima da ditadura iraniana, que vê em seus filmes propagandas subversivas contra o regime do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

É com o desejo de resistir que o diretor de obras como O Círculo e O Balão Branco usa de um artifício para dar voz a seu dilema. Ele está proibido de filmar, mas não de ser filmado; ele está proibido de escrever novos roteiros, mas não de ler roteiros já escritos.

Convida então o amigo e também diretor Mojtaba Mirtahmasb para filmar um dia de sua vida. Mas não é apenas sobre um dia em sua prisão domiciliar que trata o filme. Jafar usa um roteiro seu, escrito antes da condenação, e passa a elaborar uma leitura/montagem improvisada. A certa altura, desanima. Constatada a impossibilidade de fazer um filme. Deprime-se. Sabe que não há filme ali. “Se pudéssemos contar um filme para que fazer um filme”, diz.

Difícil não se comover com a sinceridade de seu lamento por não poder mais filmar. Isto Não é um Filme, tem uma relevância imensa como protesto e resistência (segundo a mítica em torno dele só está sendo divulgado porque foi contrabandeado para o Festival de Cannes 2011 escondido dentro de um bolo). Contudo, dada sua natureza, poderia ser uma obra monótona. Não é.

A narrativa flui, alterna-se. São ótimos os momentos em que o diretor mostra trechos de seus filmes anteriores e conta detalhes interessantes dos bastidores e do ofício de fazer filmes. Neste cotidiano forçado, o filme expõe o drama de Panahi e nos transmite seu desalento com intensidade verdadeira. Torna-se, no seu desenrolar, uma busca e um escape. Uma saída sem saída. Transforma-se, enfim, numa honesta constatação da impotência e do absurdo. Mas também uma declaração de amor ao cinema dentro de um ato de desobediência.

No final, faz um jogo de espelhos. Enquanto é filmado pelo amigo, saca seu smartphone e passa a filmá-lo também. Neste momento, com uma simplicidade emocionante, deixa claro seu amor pela arte que está impedido de exercer e o quanto ela está arraigada dentro dele.

Ao filmar e ser filmado, diz ao amigo diretor: “quando duas cabeleireiras não têm o que fazer, cortam o cabelo uma da outra”.
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Cinzas que Queimam



On Dangerous Ground
Nicholas Ray
EUA, 1952
82 min.

De todos que são chamados pela buzina do carro na rua, apenas um está só. Já é noite fechada quando ele acaba de comer apressado. Antes de ir para o trabalho, despeja no lixo as sobras generosas de sua refeição solitária. Os pratos sujos são colocados na pia estreita. Ele é Jim Wilson (Robert Ryan), detetive de polícia que trabalha a noite. Quem buzina da rua são seus parceiros, esperando-o para que possam se apresentar ao serviço. Será mais uma noite pelas ruas escuras, correndo atrás de tipos rasteiros, mulheres perdidas e homens iníquos.

Há algo de sintomático nas primeiras cenas de Cinzas que Queimam. Elas mostram os policiais se preparando para deixar o lar e ir ao trabalho. A todos, a arma é trazida por mulheres, uma mãe e uma esposa, que os ajuda a se vestirem. Jim, no entanto, já está pronto quando surge em cena. Seus parceiros deixam em casa mulheres que dormirão mal na ausência de seus homens. Jim deixa apenas os pratos sujos na pia estreita.

Nas ruas, ele é durão. Mais do que isso, exerce, na extração de culpa dos criminosos, um sadismo à beira do descontrole quando os espanca. Calado, rejeita a escória com a qual tem de lidar diariamente, sente-se atormentado por ver o mundo sempre escuro, nas noites infestadas de seres sórdidos, sem escrúpulos, sem limites para sua sordidez.

Imerso em sua solidão, Jim sente-se sufocado. Torna-se insensível. Atormentado pelo mundo que vê sob as sombras nas noites de trabalho. Não há conforto nem no exercício da lei, quando ele próprio diz que ninguém gosta de policiais, nem os criminosos, nem o cidadão honesto. Para os outros, acredita Jim, a policia é apenas uma escória mais lustrosa.

Por conta de seus frequentes excessos, Jim é enviado a uma cidade do interior, de rigoroso inverno, para investigar o assassinato de uma garota, atacada por um maníaco no bosque. Ao chegar ao local conhece o estressado pai da menina morta, que caça o assassino para matá-lo. O detetive passa a acompanha-lo no rastro do criminoso e embora represente o braço da lei, não demonstra qualquer oposição à vingança justiçadora que o pai da vítima pretende executar.

É em meio a esta caçada humana que o detetive chega à casa de Mary Malden (Ida Lupino). Ao entrar em sua residência em busca do fugitivo, encontra o lugar na penumbra. Em meio às sombras, a enigmática Mary. Jim não demora a perceber que ela é cega e que esconde segredos. Na implacável busca pelo assassino, ele fará o possível para extrair a verdade de Mary. No processo, ele descobrirá que de dentro das trevas da cegueira pode emergir a luz que nunca encontrou em sua vida.

Parte dessa luz vem do abnegado e incondicional amor de Mary por seu irmão mais jovem. Ele é o assassino que procuram, o qual Jim e o pai da vítima querem ver morto. Mary vive numa escuridão, metafísica e real, igual à de Jim. Sua noite é permanente e a aflição de conviver com o mal sob seus braços, no amor pelo irmão perturbado, faz dela tão infeliz quanto Jim. É nesse espelho obscuro que o homem da lei atormentado se verá refletido, deixando despertar em si um sentimento menos ácido, menos corrosivo.


Cinzas que Queimam reproduz o clássico mito do homem caído, perdido na escuridão, que encontra sua salvação nas mãos de uma mulher redentora. Na figura angustiada de Mary, o duro detetive encontra uma catarse devastadora. É a partir dela que seu embrutecimento desmorona e em meio às sombras uma mão se estende para erguê-lo da solidão e do desamparo.
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Um Dia




One Day
Lone Scherfig
EUA/Reino Unido, 2011
107 min

Desde que dormiram juntos pela primeira vez, há 18 anos, Emma (Anne Hathaway) e Dexter (Jim Sturgess) se encontram todo ano no dia 15 de julho. Eles se conheceram na manhã seguinte à festa de formatura da universidade, que cursaram juntos sem nunca terem se conhecido antes. Naquela manhã, estavam sob efeito da ressaca da festa e do ímpeto juvenil que faz do futuro páginas em branco a serem escritas com grandes realizações. Foram para a cama, mas naquele distante dia 15 de julho de 1988, literalmente, apenas dormiram.

Começava ali não um romance, mas uma amizade. Uma relação de afeto, respeito e cumplicidade. Ao longo dos anos nesta relação, os sentimentos mais intensos – e verdadeiros – estariam sempre submersos pela lealdade e pelo compromisso de se verem todos os anos no mesmo dia em que se conheceram.

Naquele tempo de juventude impetuosa, Dexter era então apenas o filho mimado de uma família rica. Bonito, charmoso, acostumado a levar para a cama as mulheres que desejava. Já Emma era tímida, vinha de família humilde e sonhava em ser escritora.

A ambos o futuro acenava com sonhos, mas cada um segundo suas possibilidades. Dexter, inicialmente sem saber ao certo o que fazer e despreocupado pelo dinheiro que nunca faltaria, acaba se tornando apresentador de um programa de TV vulgar. Emma, disposta a seguir seu sonho, encara a realidade. Para sobreviver, passa a trabalhar em subempregos. A vida difícil a afasta de suas grandes aspirações.

A passagem do tempo em Um Dia, as mudanças na vida dos personagens, são mostradas ano a ano, através do único dia que se encontram. Seus altos e baixos são percebidos pelos fragmentos desse único dia. Passam-se namoros, casamentos, filhos, perdas, realizações e frustrações. Mudam-se os cabelos, as roupas, a música, o tempo. Mas permanece a amizade, a alegria que sentem no reencontro, sempre imerso em uma tensão de desejo que escondem de si mesmos.

Precisam-se nas horas difíceis, quando telefonam e desabafam. Sabem que se amam de uma forma única, um amor construído pelos anos, mas germinado desde o primeiro dia. Temem, contudo, esse amor; assustam-se diante dele e por isso teimam em não desatá-lo.

O filme persegue esse desencontro sentimental até uma certa exaustão. Com a fragmentação da vida de ambos – no modo como são mostradas e na própria dissolução dos sonhos pretendidos – a narrativa ganha em poesia, mas perde na construção dos personagens e do sentimento. Mesmo assim é capaz de comover, graças a uma boa atuação de Hathaway.

Baseado no romance homônimo, de David Nicholls, que também assina o roteiro, Um Dia está preso à obra original. Esta fatalidade, transposta para o cinema, resulta num ponto em que o drama se amplia na intenção de fazer chorar, de partir nosso coração. A partir daí a obra perde em originalidade e se afunda numa grande tristeza, surgida da tragédia.

O que segue até o final da história vem na esteira de uma esperança melancólica, de um renascimento marcado pelo acontecido, presente muito mais como atenuação de uma dor profunda. É a lição da esperança e conforto que arrasta o filme até o final. Essa extensão serve para diluir o trágico, e com isso jogar para clichês sentimentais o desfecho do filme.
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sábado, novembro 26, 2011

Assalto em Dose Dupla



 Flypaper
Rob Minkoff
Alemanha/EUA, 2011
87 min.

Deixe a verossimilhança de lado caso queira se divertir um poço com Assalto em Dose Dupla. Embora não entre de cabeça no nonsense, o filme passa raspando em alguns momentos. Não se trata aqui do argumento, uma vez que na comédia se podem abrir as portas do absurdo para nos fazer rir. O problema é que o roteiro criar algumas situações que não colam muito bem, mesmo dentro da estrutura cômica do filme.

Uma equipe de três assaltantes, treinados e com equipamento tecnológico de ponta, invade uma agência bancária para roubar o cofre. Ao mesmo tempo, uma dupla de ladrões rasteiros e caipiras entra para roubar os caixas eletrônicos. Quando anunciam o assalto ao mesmo tempo, surpresos, iniciam um grosso tiroteio. Quando as balas cessam por um instante, os assaltantes são convencidos por um dos reféns a roubarem o banco juntos, sem atrapalharem o trabalho um do outro. Como num acordo de cavalheiros.

O refém que dá a sugestão chama-se Tripp (Patrick Dempsey). Ele sofre de um distúrbio de atenção que o faz notar, memorizar e analisar cada detalhe do que vê. Essa obsessão piora por ele estar sem seus remédios. Isso o faz agir como um Sherlock Holmes. Ele passa então a desconfiar que uma série de coincidências desse assalto inusitado não sejam apenas obras do acaso, mas parte de um plano conspiratório. Sem poder se controlar, fará de tudo para descobrir mais pistas que comprovem sua louca teoria, enquanto é mantido refém com outras pessoas.

Entre a ação e os diálogos iniciais, o filme segue bem. O velho humor de situações malucas com personagens esquisitos tendo conversas improváveis funciona. Isso graças à agilidade das falas e uma bem amarrada adição que não deixa tempo para que se perceba os furos da situação. A boa contribuição desse inicio engraçado vem dos ladrões, cuja distância entre profissionalismo e estupidez cria uma boa sequência de cenas.

Essas qualidades vão se diluindo à medida que a trama desloca seu eixo para os reféns e para a figura de Tripp e da caixa do banco Kaitlin (Ashley Judd). Estes formarão o inevitável par “romântico” da história. Funciona mal o filme sob esse eixo pela falta de carisma de ambos atores e por uma completa ausência de sintonia entre eles. Mas o que de fato compromete são as ações que o roteiro destina a eles. São os momentos em que o filme chega muito perto do nonsense, quando mesmo dentro da situação absurda que vivem fica difícil engolir suas ações e a falta de consequência para elas.

Quando a trama se embaraça por um misterioso plano de queima de arquivo, com mortes acontecendo como num suspense, a graça e a comédia já deixaram o filme há muito tempo. Piora muito na hora do desfecho, quando as explicações criam um embaraço muito maior, apresentando um plano que de tão complicado não é apenas difícil de engolir é difícil até de entender.
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terça-feira, novembro 22, 2011

Apenas o Fim


Apenas o Fim, trabalho de estreia do diretor Matheus de Souza, é um filme sobre o fim de um relacionamento, e nada mais. Por isso, talvez, seja tão bom, já que dessa simplicidade de ruptura nasce uma iluminada viagem para dentro daquilo que se perde quando a vida acontece. Algo intangível e inestimável, que pode ser chamado de sonho, esperança, frescor da juventude, otimismo ou ingenuidade. Talvez a soma de todas essas coisas e algo mais, algo ainda sem definição e cuja perda não representa o fim, mas a continuidade.

Numa manhã cotidiana, Tom (Gregório Duvivier) encontra sua namorada, interpretada por Erika Mader, na faculdade onde estudam. Ela diz que está indo embora. Ele diz que tudo bem, que está atrasado para uma prova e depois telefona para ela em casa. Mas logo ele percebe que ela quer dizer outra coisa. Que está indo embora para sempre, para outro lugar e que eles só têm mais uma hora juntos.

No restante de sua duração, Apenas o Fim se alterna entre fragmentos da conversa final do casal e fragmentos de suas lembranças juntos. De pedaço em pedaço, vai-se construindo um colorido mosaico de memória e conversas aparentemente irrelevantes, mas que revelam na sua falsa banalidade um universo rico de sentimentos, rico de significados oblíquos, que são aqueles que compõem a memória e a partir dela se reconhece as paixões, os desenganos e os sonhos da vida, perdidos ou vindouros.

Há em Apenas o Fim e seus diálogos uma irresponsabilidade repleta de oxigênio, carregada de uma graça que só a certeza do futuro pode criar. O tipo de certeza do futuro que só é reservada aos jovens. Pois é justamente esse frescor colorido, salpicado pela dor da separação e amenizado pela certeza do futuro, o grande achado do filme.

Não que seja original. Há na sua construção uma influência clara do filme Antes do Amanhecer (1995): os planos sequência, o casal caminhando e conversando, os diálogos frívolos surgidos em meio a uma conversa mais séria, a urgência de um tempo juntos que está por terminar.

Mas ao contrário do clássico dos anos 90, esta versão nacional trata de algo que está terminando, não de um tateio por algo que pode começar. Isso faz toda diferença, uma vez que a memória, inserida em esquetes durante a despedida, conta muito na construção de uma relação, mas conta principalmente na caracterização do descompromisso.

É o descompromisso, a certeza do incerto que vem adiante, somado a uma afinada sintonia entre os atores e bons diálogos, que faz do filme uma agradável experiência. Embora carreguem o peso inevitável da gravidade de uma separação, esse peso jamais adquire o tamanho de uma tragédia ou de um drama arrastado. Trata-se somente de uma despedida meio amarga, amenizada, inadvertidamente, pela certeza do porvir. Trata-se apenas do fim. Daquela dor meio baça entre a perda e a renovação, entre o olhar para trás com o coração apertado e caminhar para frente com o peito aberto.
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Apenas o Fim
Matheus de Souza
Brasil, 2008
80 min.

Trailer

Pronto para Recomeçar




Everything Must Go
Dan Rush
EUA, 2010
97 min.

Quem se deixar levar pela figura de Will Ferrel no cartaz de Pronto para Recomeçar pode se decepcionar com o filme. Não porque o filme seja ruim, mas porque não é uma comédia. A confusão é pertinente, uma vez que Ferrel é uma figura ligada à comédia desde sua estreia na TV, no programa Saturday Night Live. E embora já tenha vivido papeis mais ou menos sérios no cinema pode ser difícil para o grande público dissociá-lo de seus personagens em comédias como Dias Incríveis ou O Âncora: A Lenda de Ron Burgundy. No entanto, quem for preparado para um drama com notas harmoniosas e textura na densidade certa, pode sair da sessão recompensado.

Ferrel interpreta Nick Halsey, um sujeito que após ser demitido do trabalho por problemas com bebida, chega em casa e descobre que sua mulher o deixou. Mas antes de partir, ela espalhou pelo gramado da casa todas as coisas dele e trocou as fechaduras para que ele não pudesse entrar. Diante de um gramado atulhado de quinquilharias, o que Nick faz é sentar-se em sua poltrona e beber uma cerveja atrás da outra. Dia após dia.

Nick se entrega à total apatia diante do desastre que se tornou sua vida. Ver-se rodeado por inúmeros objetos que colecionou ao longo dos anos é como um reconforto de normalidade. Por outro lado, o significado que a maior parte desses objetos tem para Nick é nulo. Sem pensar a respeito, ele não percebe que o vazio de sua existência não é recente, mas uma jornada sem significado que já vem de longo tempo. Algo que ele talvez nunca perceba de forma clara, mas apenas pressinta através dos personagens que orbitarão sua condição surreal.

Um desses personagens é Kenny (Christopher Jordan Wallace), um garoto negro e gorducho que ronda a vizinhança em sua bicicleta. Deixado só pela mãe na maior parte do tempo, Kenny é esperto e introspectivo. Ele aceita trabalhar para Nick, cuidando das coisas enquanto ele vai até a loja de bebidas repor seu estoque de cerveja. Depois, passa a etiquetar os pertences espalhados no gramado, afim de dissimular uma liquidação de garagem, único meio de Nick continuar vivendo no gramado sem ferir as leis do município.

Não há objetivo aparente na vida de Nick. Ele não faz planos, não pensa em arrombar a porta e entrar em sua casa, não pensa em se mudar para um hotel, ir atrás da esposa ou qualquer outra coisa. Sua permanência ao lado de objetos de tão pouco valor afetivo é a melhor representação de seu estado catatônico. Como alguém que desistiu de viver, mas não se desprende da vida.

É nessas circunstâncias que conhece Samantha (Rebecca Hall), sua nova vizinha. Visivelmente grávida, ela é uma professora de fotografia cujo marido foi transferido para a cidade, embora não tenha vindo com ela. Compadecida pela situação de Nick, ela se aproxima dele, sem tentar interferir ou aconselhar. Além dela e do garoto, o único amigo que Nick parece ter é um policial amigo dele e da esposa.

Pronto para Recomeçar é o filme de estreia de Dan Rush, que dirige esta história de desistência e apatia. Com uma registrada marca de cinema independente (discreta trilha sonora, pouca movimentação dos personagens e o humanismo das relações se sobrepondo a qualquer ação), Rush consegue criar uma atmosfera de estagnação que envolve todos os personagens. Ao fazê-lo, preenche a narrativa com um tom preciso entre a densidade de um drama triste e a leveza de uma história humana. Sem melodramas, sem exagero, no ponto certo.

Como uma fábula triste, cercam Nick pessoas cujas vidas estavam tão estagnadas quanto a dele próprio, sentado em seu gramado tomando cerveja. Ele, de alguma forma, consegue fazê-las se moverem e, sem grande alarde, darem um passo a frente. Algo que ele só poderá fazer muito depois, quando perceber que é hora de deixar as coisas irem. Quando finalmente deixar que as coisas partam.
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quinta-feira, novembro 10, 2011

Os 3



Nando Olival
Brasil, 2011
78 min.

Ao abrir seu filme descrevendo o óbvio significado das palavras amizade, amor, paixão e tesão, o diretor Nando Olival nos lança de imediato um desnecessário clichê. Estreando na direção solo (ele codirigiu o longa “Domésticas”, ao lado de Fernando Meirelles), Olival se deixa levar por muitos lugares-comuns, que se repetem ao longo do filme, prenunciados desde a abertura.

É o caso, por exemplo, da narração feita por Rafael (Victor Mendes). Uma muleta explicativa que abre e pontua a narrativa com excesso de didatismo, explicando com alguma verborragia o que já está claro (ou poderia estar) na tela, através das imagens.

Recém-chegado a São Paulo para cursar a universidade, Rafael conhece em uma festa Camila (Juliana Schalch) e Cazé (Gabriel Godoy). Também vindos do interior para estudar, entre eles apenas Cazé tem lugar definido para morar. Ele alugou o segundo andar de um velho prédio industrial desativado, no centro da cidade. Com espaço de sobra, convida os dois para morar com ele.

Uma regra é criada logo de início: durante os quatros anos de estudos não poderão se relacionar entre si. Com a concordância de todos, seguem vivendo juntos. Rafael, como narrador, vai explicando os altos e baixos da convivência até chegarem ao último ano. É quando apresentam um trabalho de conclusão que propõe um reality show online com vendas em tempo real. Um empresário que assistia à apresentação convida os três a realizarem o projeto com eles mesmos como participantes.

Os três resistem à ideia de início, mas acabam aceitando. Para aumentar a audiência do programa, criam por conta própria um roteiro para interpretarem diante das câmeras. Surgem então falsas intrigas, brigas e um inevitável triângulo amoroso. Porém, com sentimentos reais em jogo, os três passam a ter dificuldade em diferenciar o que é real e o que é simulação.

A boa química entre os três atores deixa os diálogos espontâneos, com naturalidade e fluidez. Mas não bastam para salvar o filme, que se perde nas inconsistências do roteiro, com uma pretensão de crítica à televisão que não se sustenta muito bem. Com os muitos clichês e um final bobo, o filme se torna uma colagem de ideias interessantes desperdiçadas pelo roteiro fraco.
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Late Bloombers – O Amor Não Tem Fim




Late Bloomers
Julie Gavras
França, Bélgica, Reino Unido, 2011
95 min.

Uma comédia romântica da terceira idade. A própria diretora Julie Gavras nunca renegou este rótulo a seu novo filme, o segundo de sua carreira, que começou promissora com o divertido e terno A Culpa é do Fidel. Filha do renomado e polêmico diretor Costa-Gavras, Julie realiza agora uma boa comédia sobre alguns sintomas do envelhecimento, sintomas muito mais intensos no psicológico do que no corpo. Ao menos para seus dois protagonistas.

William Hurt e Isabella Rossellini são Adam e Mary, um casal às voltas com a vida de sexagenários. Ele é um renomado arquiteto que 30 anos atrás revolucionou a arquitetura de aeroportos e terminais rodoviários. Ela é uma professora aposentada que após um esquecimento súbito passa a perceber a própria idade como antes não percebia.

Esta percepção da idade de Mary se agravará quando, por conselho médico, ela decide fazer exercícios e se envolver com alguma atividade que a mantenha ocupada. Enquanto isso, seu marido reluta em aceitar um projeto de condomínio exclusivo para idosos. Ele está muito mais interessado na possibilidade de desenhar um novo e moderno museu, estimulado por sua equipe jovem.

A graça de Late Bloomers está na paranoia oposta que cada um deles passa a desenvolver. Enquanto Mery se entrega a antecipar uma condição de limitações físicas - enchendo a casa de acessórios “facilitadores” da terceira idade (barras de apoio e utensílios ergonômicos para idosos) -, Adam se recusa a esta entrega e passa a agir de forma pateticamente jovem.

Julie trabalha com desenvoltura situações e diálogos que revelam não apenas uma perversidade cômica em situações pragmáticas do envelhecimento, mas também uma ironia que traz em si uma reflexão sobre o assunto. Sem qualquer pretensão de se fazer um retrato ou uma denúncia, apresenta personagens e pensamentos que expõem o inevitável em cada ser humano: a ação do tempo e as consequências dele.

Como comedia romântica, Late Bloomers se destaca pela abordagem original, nos livrando da mesmice das situações juvenis que o gênero sempre apresenta. Por outro lado, não consegue fugir do esquemático roteiro desse gênero, com sua trama que se enrola e desenrola no mesmo ritmo das comédias românticas comuns.

Mesmo repetindo uma fórmula gasta, o filme alcança um tom de originalidade com sua inversão de visões. Alcança, assim, uma certa dose de verdade, especialmente no modo como a câmera sempre transcreve o rosto de Rossellini em toda sua magnitude de vincos e marcas do tempo. É este rosto carregado de tempo - mas preservando uma beleza inata - e sua desinibição diante da câmera impiedosa no registro desse tempo que dão a tônica do filme. Uma opção muito feliz.

Sem grande pretensão, Late Bloomers funciona como comédia, funciona como romântica e funciona como algo diferente. Embora seja por vezes mais do mesmo, é um “mesmo” mais original e inesperado, muito gostoso de se ver.
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sábado, novembro 05, 2011

Submarino


 

Submarino
Thomas Vinterberg
Dinamarca, Suécia, 2010
105 min.

Estar mergulhado no limbo. A sensação de imobilidade, preso aos laços negros do passado; preso aos laços negros da família. O presente em Submarino, novo filme do dinamarquês Thomas Vinterbeg, é sempre um reflexo incurável do passado, marcado pela solidão e pela culpa. Seus personagens se cercam - ou são cercados – de vítimas e algozes de um mundo maléfico, cheio de desvios melancólicos e sujos. Buscam uma redenção na vontade, mas seus gestos ou os afundam mais no erro ou os levam a andar em círculos. Sobre eles, sempre paira a família.

O filme abre com a vida impiedosa de dois irmãos, ainda jovens, cuidando de outro irmão recém-nascido. Há no plano uma luz angelical de afeto e carinho imensos. A luz que será talvez a última pureza de suas vidas. Fora dela, o apartamento sujo, a mãe drogada e alcoólatra. Ódio, desprezo, revolta. Quando se é jovem, é preciso externar. A consequência é a tragédia, sujeitada à uma banalidade do descuido.

Adultos, os dois irmãos tem vidas imersas no vazio. Trazem as marcas do que viveram na feição e no limbo que estão imersos. O mais velho, tem no álcool seu conforto precário. Tentou ser reto na vida, mas não conseguiu. O outro cuida sozinho do filho de seis anos. A mãe do garoto morreu atropelada. Seu conforto precário é a heroína. Também não pôde se livrar do peso do passado.

Separados, os dois irmãos evitam-se. Mas também se buscam, como numa inconsciente vontade de reverter o passado, de corrigir o rumo, de acertar na vida. Quando finalmente se encontram, desencadeiam consequências duras em suas vidas, como se o amor fraterno e o desejo de reparar os erros não fossem suficientes para salvá-los de si mesmos.

Vinterberg explora o vazio inescapável de seus dois personagens sem sentimentalismo. É frio nessa construção de uma realidade amarga, na composição dos enquadramentos, nas feições. Em cada gesto cabe sempre o peso da culpa. Não é uma amargura que viceja, mas um sentimento que resseca. Cada um a seu modo busca uma redenção, um reparo. E é nesse desejo de redenção que, involuntariamente, destroem-se mais ainda.

Submarino guarda, sim, alguma redenção. Mas a um preço tão alto, física e sentimentalmente, que não se pode dizer ao certo se ela realmente chegou. Em sua catarse da culpa é cruel, mas guarda nas intenções uma beleza de espelho distorcido, um reflexo amorfo da fé e da boa vontade. Seus personagens não são maus, apenas não conseguem evitar a maldade em suas vidas.
 
Vinterberg cria um drama pesado e honesto. Não lança mãos de artificialismos, nem apela para as lágrimas fáceis do público. Seu cenário é seco e frio. Sem espaços para uma melancolia poética. Nessa frieza esmagadora, o futuro de seus personagens é sempre um risco. Mas que de alguma forma vale correr. Se a esperança é rala, não deixa de ser também um credo. Sem altares ou orações, mas com um dever de seguir sempre adiante.
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A Casa dos Sonhos




Dream House
Jim Sheridan
EUA, 2011
92 min.

Existem mais mistérios em Hollywood do que sonha nossa vã filosofia. Um desses mistérios é como atores de razoável qualidade ou renome se envolvem em projetos tão ruins. A Casa dos Sonhos traz em seu elenco Daniel Craig, Naomi Watts e Rachel Weisz. Três nomes de algum respeito envolvidos numa trama que mesmo não sendo original, poderia render boas surpresas. Mas é levada com tanta indefinição, que se perde completamente.

Craig é Will Atenton, um executivo que se muda com a família para uma nova casa numa pequena cidade, onde pretende se dedicar a escrever seu livro. Sua esposa Libbyy (Rachel Weisz) e suas duas filhas parecem entusiasmadas com a mudança para a nova casa e tudo os faz parecer uma família feliz.

As coisas se complicam quando eles descobrem que naquela casa, há anos atrás, ocorreu uma terrível tragédia. Um homem assassinou sua esposa e suas duas filhas a tiros. Junto com a descoberta, coisas estranhas passam a acontecer e pessoas estranhas parecem rondar a casa. Parte da chave desse mistério pode estar na vizinha da frente (Naomi Watts), que parece saber mais coisas sobre o que realmente aconteceu no passado.

Querendo saber o que realmente aconteceu e onde está preso o assassino que morou ali, Will tentará, sem resultado, falar com as autoridades. Diante da resistência de todos, chega à clínica onde o assassino, Peter Ward, esteve internado. Lá receberá uma informação surpreendente, que mudará completamente o rumo da história.

É nesta mudança de rumo que o filme se perde completamente. O grande problema de A Casa dos Sonhos é não apresentar uma definição sobre o que quer ser. Ensaia o terror, depois o suspense, depois o sobrenatural e por fim a loucura. Esta indefinição de qual registro seguir faz com que a trama pareça uma colcha de retalhos. A narrativa pula de um registro a outro e em nenhum alcança qualquer resultado razoável.

O que já estava ruim só piora quando o último mistério é finalmente solucionado. Além de fechar a trama com um argumento precário e ridículo, o filme muda pela última vez o tratamento da trama, saltando para um novo e insosso registro. No final, a sensação que fica é de uma completa falta de conexão entre como o filme começou e como terminou. Além da pergunta de como aquele elenco topou fazer um filme tão indefinido e mal escrito.
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