segunda-feira, julho 11, 2011

Breviário da Semana Nº 06

Um semanário muito breve


Numa noite de insônia na semana passada, acabei colocando Taxi Driver, de Marton Scorsese (1976), para rolar no DVD. Não via o filme há cerca de dez anos. Grandes obras são isso, não perdem a força. O filme de Scorsese é uma tensão permanente. A paranoia, obsessiva e desajustada de Travis (Robert De Niro) o torna imprevisível e assustador, mas, de uma maneira muito complexa e sutil, nos permite sentir uma leve empatia pelo personagem. E De Niro está simplesmente perfeito no papel.

Montgomery Clift como o padre de A Tortura do Silêncio
Fui ver Transformers 3O Outro Lado da Lua no cinema. Não cheguei a ver o segundo filme da franquia, que dizem ser muito ruim. Da primeira aventura, tenho boa impressão, especialmente pela capacidade técnica do filme em combinar animação digital e cenários supostamente reais. A ação era boa. E só. Neste terceiro filme, a decepção (já mais que esperada) foi grande. Tecnicamente, o filme continua bom, mas algo já não me convence naqueles efeitos de transformação. O roteiro, claro, é digno de ser esquecido. Tinha a impressão que todo o tempo o filme dizia na minha cara que me achava um idiota, por tentar me fazer crer naquela história rocambolesca. Agrava ainda o fato de o filme se arrastar na maior parte com histórias e mais histórias para justificar toda bobagem. Só engrena no final e, como muito bem disse meu amigo Ronaldo Júnior, no final já é final. Bobo demais esse filme

Bruna Lombardi chora as mágoas do casamento
Na mostra Hitchcock, vi A Tortura do Silêncio, de 1954. Uma trama muito bem engendrada de assassinato, falso culpado e renitência abnegada. No filme, um padre é o principal suspeito de um assassinato. Ele sabe quem é o assassino, mas não pode revelar seu nome pelo segredo da confissão católica. Para piorar, não pode apresentar um álibi da noite do crime por risco de comprometer a honra de uma mulher casada. Ele aceita todos os infortúnios tenazmente até o desfecho final, que é comovente e cheios de simbolismos espirituais sobre a alma.

Como lição de casa, tive que ver O Signo da Cidade, de Carlos Alberto Riccelli (2007). Roteirizado e protagonizado por Bruna Lombardi, o filme, de tom claramente exotérico, mostra como diferentes personagens, dramas e tragédias se cruzam pela cidade de São Paulo, como destinos cruzados. O filme tem um ritmo irregular e não dá tempo para que os personagens se desenvolvam a ponto de criar alguma empatia com o expectador. A música, as imagens e as histórias tentam nos emocionar, mas soam um tanto artificiais por falta de substância dramática ou constitutiva. Para piorar, o filme se arrasta para além de onde deveria terminar.

Robert De Niro como o psicótico Travis
Convidado pela assessoria e produção da Onde Está a Felicidade?, (também uma parceria de direção de Carlos Alberto Riccelli com o roteiro e a atuação de Bruna Lombardi) para ver o filme em sua exibição em concurso no Festival de Cinema de Paulínia, encarei as duas horas de viagem até a cidade, em ônibus fretado pela patrocinadora Telefônica. O filme é divertido, o público que lotou o Teatro Municial de Paulínia gostou (e riu mais do que eu). Talvez por não se levar a sério demais, o filme tem a qualidade de encaixar algumas boas piadas. A atuação de Marcello Airoldi, apesar de em alguns momentos ficar um ou dois tons acima do afinamento, é muito boa no geral, com momentos excelentes. Bruna Garcia mantém seu padrão de comédia. No geral, é um filme com bom potencial de público, quando estrear em 19 de agosto. Em breve, escrevo a crítica completa.
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sexta-feira, julho 08, 2011

Gainsbourg – O Homem que Amava as Mulheres



Gainsbourg (Vie Héroïque)
Joann Sfar
França, 2010
130 min. 

Não espere neste filme uma linearidade clássica ou um realismo de verdades, daquelas cheias de ressentimento. A cinebiografia do polêmico e provocador artista francês Serge Gainsbourg, que estreia nesta sexta (08), é um filme encharcado de fantasia, elipses e música.

Estreia na direção do conceituado quadrinista Joann Sfar, o filme abre mão de qualquer historicismo didático. Para Sfar, o que interessa na vida de Gainsbourg é o mito, a realidade ele deixa para os pobres de imaginação.

Serge Gainsbourg (nascido Lucien Ginzburg) foi mais que cantor e compositor. Foi uma polêmica. Nascido em 1928, viveu os anos 60 como estes mereciam ser vividos: sem pudores, sem retrancas e com muita paixão. Colecionou polêmicas e mulheres deslumbrantes. Juliette Gréco, Brigitte Bardot, Jane Birkin. Nas polêmicas, a mais notável foi a canção “Je T’Aime Moi Non Plus”. De altíssima voltagem erótica, a canção foi composta para Brigitte Bardot em 1968. Bardot chegou a grava-la em dueto com Gainsbourg. Contudo, temendo a repercussão escandalosa que a música teria, a atriz e cantora não permitiu seu lançamento.

A música só seria lançada no ano seguinte, gravada em dueto com a também atriz e cantora Jane Birkin, então esposa de Gainsbourg. O escândalo, como esperado, foi grande. Em seus versos, a canção diz:

Como a onda irresoluta
Eu vou, eu vou e eu venho
Entrelaçado em seu dorso
Eu vou, eu vou e eu venho
Entrelaçado em seu dorso
E eu me detenho”

Para encenar (e homenagear) a vida desse artista que viveu intensamente seu tempo, Sfar constrói uma narrativa que (sei que me repito na expressão) não tem grande compromisso com a realidade. O diretor recompõe a vida do artista sem distanciá-lo do mito, da infância até o sucesso.

Com uma bela fotografia, recheado pelas ótimas canções de Gainsbourg, o filme tem uma cadência elíptica e vibrante, capaz de nos remeter à efervescência dos anos 60 e 70. Um trabalho de montagem competente que contribui para a aura fantasiosa que o filme, desde o início, apresenta. Pois para um ícone tão a frente de seu tempo, nada mais apropriado que uma generosa dose de fantasia.

Assim, se misturam na narrativa eventos e delírios na composição da personalidade de Gainsbourg, como seu alter ego, personificado em um ser antropomorfo, com nariz e orelhas desproporcionais. Essa espécie de amigo imaginário atua como uma consciência provocativa do artista. Essa opção visual da narrativa embeleza o filme e cria momentos marcantes, como a decisão de Gainsbourg de largar a pintura e o desenho para se dedicar apenas à música.

Nessa narrativa de tom fabular e mítico, um dos momentos mais emblemáticos - e que reforça a intenção do filme em tratar de mitos, não simplesmente de biografias - é a entrada na trama de Brigitte Bardot. Interpretada pela modelo Laetitia Casta, a cena é antológica, com a energia e o poder que merece o mito Bardot.

Na interpretação e composição do mito protagonista, o ator Eric Elmosnino está irrepreensível como Gainsbourg. Não apenas pela imensa semelhança física, mas também pelos gestos e expressões. Com ótima sintonia, sua atuação trabalha em função do imaginário, da construção de uma personificação a altura de um símbolo, a altura de um polêmico transgressor de seu tempo como foi Serge Gainsbourg.

Bonito, vibrante, sensual, delicioso. No título original do filme lê-se, entre parêntesis: “Vie Héroïque” (vida heroica). Uma vida heroica me parece a mais adequada definição do mito Gainsbourg. No propósito de exaltá-la, reescrevê-la e dar a ela a devida dimensão artística e mítica, o filme realiza uma aventura fascinante e magnífica. Por isso encanta, seduz e arrebata.
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quinta-feira, julho 07, 2011

Corações Perdidos



Wellcome To The Rileys
Jake Scott
EUA, 2010
110 min.

Mais conhecido por realizar documentários em vídeo de bandas como U2, R.E.M. e Smashing Pumpkins (e por ser filho do consagrado diretor Ridley Scott), Jake Scott retorna ao cinema depois de mais de 10 anos. Seu primeiro longa-metragem, de 1999, “Plunkett & Macleane”, não foi exatamente um sucesso. Agora, em seu mais recente filme, que estreia nesta sexta (08), o jovem diretor nos apresenta uma bela história de reconciliação com a vida.

Em “Corações Perdidos” temos um casal de meia idade que passa por uma crise de estranhamento e afastamento, consequência do trauma da perda da filha, morta em um acidente de carro. Doug Riley (James Gandolfini), dono de uma bem sucedida loja de ferragens, se desvencilha do drama íntimo de sua casa com a uma amante, por quem tem profundo afeto. Mary (Melissa Leo), sua esposa, sofre com a síndrome do pânico que a impede de sair de casa. Entre remédios e clausura, Mary parece já ter se despedido da vida e do mundo, enquanto seu marido ainda quer viver de alguma forma.

O filme de Scott talvez traga uma inevitável comparação. “Reencontrando da Felicidade”, que esteve em cartaz por aqui recentemente, também trazia um casal que perdera o filho em acidente de carro. Contudo, os filmes guardam interessantes diferenças entre si, ainda que se assemelhem na problematização da perda.

Ambos mostram casais cuja relação saiu dos trilhos depois da tragédia. Mas enquanto “Reencontrando a Felicidade” vai pelo caminho da busca de eixo de equilíbrio e futuro, em “Corações Perdidos” o sentimento é a necessidade de sair do limbo. São diferenças sutis, mas que no desenrolar de cada filme geram sentimentos e situações distintas.

No caso dos Rileys, as coisas começam a mudar quando uma inesperada e dolorosa notícia chega até Doug. Ainda abalado, ele faz uma viagem de negócios para New Orleans. Lá ele conhece Mallory (Kristen Stewart), nome de guerra de uma garota de 16 anos que se apresenta numa casa de strip-teaser.

Depois de um começo ríspido, surge entre eles uma relação na qual Doug, previsivelmente, cria um processo de transferência afetuosa para a jovem garota. A relação, naturalmente, é problemática e tende a se agravar quando Mary descobre o que está acontecendo.

Scott conduz seu filme com uma carga bastante moderada de emoção, fugindo sempre do sentimentalismo. Segue a cartilha do cinema independente americano contemporâneo, com trilha sonora discreta e recorrente, personagens desajustados em seu mundo, narrativa cadenciada sem grandes sobressaltos. Nessa linha, consegue criar uma história interessante, capaz de gerar expectativa pelo seu desdobramento e desfecho.

“Corações Perdidos” é uma história de retomada, da redescoberta de sentimentos trancados no porão da dor e do luto. Sem exageros, mostra a transformação, o expurgo necessário do passado e o desejo de tornar melhor o futuro. Apesar de alguns pontos de verossimilhança discutíveis, é capaz de criar situações interessantes e desenvolver seus personagens de forma a nos parecerem ternos e frágeis, mesmo quando demonstram uma agressividade intensa. São personagens vítimas de certo abandono e desesperança, que tentam, por algum tempo, se agarrarem a uma ilusão de reconforto e restituição.

Contudo, a natureza das ilusões que criam logo se mostra frágil, ainda que não totalmente dissolúvel. Como diz um personagem em certo momento, talvez seja tarde demais para restituir o que todos, em algum momento de suas vidas, já perderam. Mas resta um vínculo de afeto, gratidão e recompensa que perdurará. E isso, para aqueles que precisam ter de quem cuidar (ou aqueles que precisam ter alguém que cuide deles) é algo de valor suficiente para que a vida siga um pouco melhor. Se não plena de felicidade, ao menos com um pouco mais de esperança. Uma esperança presente na capacidade de voltar a sorrir e ter afeto.
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quarta-feira, julho 06, 2011

A Contemplação do Cinema de Terrence Malick

Mostra no CCSP trás obra completa do vencedor da Palma de Ouro em Cannes


Enquanto o aguardado “A Árvore da Vida” - ganhador da Palma de Ouro em Cannes 2011 - não chega aqui, o Centro Cultural São Paulo realiza uma retrospectiva completa do premiado diretor. Intitulada “O Cinema Contemplativo de Terrence Malick”, a mostra começa no próximo sábado, dia 9, e segue até o dia 14 de julho.

Em se tratando do cinema de Malick, dizer que a retrospectiva é completa, com todos seus filmes, pode parecer algo volumoso. Mas não é. Isso porque em 38 anos de carreira o diretor realizou até agora cinco filmes. Como o último ainda não estreou por aqui, a mostra exibe quatro. Mas são quatro que, segundo uma fatia considerável da crítica especializada, valem por muitos.

Terrence Malick é um dos grandes nomes do cinema contemporâneo. Seus filmes são vistos como obras-primas, embora muitas vezes divida os críticos. Muitos consideram sua obra enigmática demais ou – como diz o título da mostra – contemplativa demais. Por outro lado, há quem defenda que Malick seja o diretor que, nos dias de hoje, melhor encarne a ousadia, a originalidade e a inventividade de que o cinema contemporâneo tanto carece.

Refratário à exposição pública, Malick não vai a premiações, não concede entrevistas e não costuma ser fotografado. Seus projetos são sempre cercados de mistério, pois não nunca revela no que está trabalhando. Toda essa reclusão reflete em seu trabalho pelo esmero que dedica a cada projeto, o que explica o longo intervalo entre seus filmes. Sua atenção e acuidade com cada detalhe se reflete na tela. Por isso, goste-se ou não, seus filmes são sempre de uma perfeição técnica irrepreensível. Quem quiser experimentar e tirar sua própria conclusão tem agora uma boa oportunidade.
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Serviço:

Centro Cultural São Paulo
Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso
(ao lado da Estação Vergueiro do Metro)
Ingressos: R$ 1,00
Tel: 3397-4002
Mais informações, acesse: http://www.centrocultural.sp.gov.br

segunda-feira, julho 04, 2011

No mês das férias, Cinemateca exibe animações francesas

Mostra Uma História da Animação Francesa, trás obras raras e sucessos de público.


Para quem procura um “esquenta” para o Anima Mundi (que acontece no final do mês) ou um bom programa para a criançada no mês das férias ou simplesmente adora uma animação, não pode perder a mostra Uma História da Animação Francesa, que ocorre na Cinemateca Brasileira de 01 a 31 de julho.

O nome da mostra não é apenas força de expressão. Entre longas e curtas metragens, fazem parte da programação obras fundamentais, históricas e contemporâneas. Desde “Fantasmagoria”, curta de 1908, considerado o primeiro desenho animado do cinema, até obras recentes, como o elogiado “O Mágico”.

Num amplo panorama, nomes consagrados da animação francesa como Émile Cohl, René Laloux e Jean Image dividem a programação com artistas que vêm se destacando no gênero, como Sylvain Chomet e Serge Avedikian.

Em uma mostra de animações francesas, não poderia faltar os dois personagens mais populares dos quadrinhos daquele país, Asterix e Lucky Luke.  Desses personagens, a mostra trás seus primeiros longas de animados: “Asterix, o Gaulês”, de 1967, e “Lucky Luke – Daisy Town”, de 1972.

Especificamente para o público adulto, o evento trás obras marcantes como o policial “Reinaissance”, o sombrio “Chronopolis” e o premiado “Persépolis”. Embora as crianças possam gostar, as animações de Sylvain Chomet – “As Bicicletas de Bellevile” e “O Mágico” -, são sempre cheias de melancolia e agradam mais ao público adulto. O programa intitulado “Curtas Contemporâneos 2”, também não é indicado para crianças.

Para quem vai levar a garotada, é bom ficar sempre atento à classificação indicativa dos filmes, que se encontra nas respectivas sinopses. Isso pode evitar surpresas desagradáveis. Outro detalhe a se ficar atento é o idioma da projeção. Alguns filmes serão exibidos dublados, outros com legenda em português e alguns em francês, sem legenda.

Mais informações, acesse: http://www.cinemateca.gov.br
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Serviço:
Cinemateca Brasileira
Largo Senador Raul Cardoso, 207
Tel: (11) 3512-6111 (ramal 215)
Ingressos: R$ 8,00 (inteira) / R$ 4,00 (meia-entrada)

domingo, julho 03, 2011

Breviário da Semana Nº 05

Um semanário muito breve


Como devem ter notado, falhei. Não publiquei o breviário da semana passada. Isso aconteceu porque simplesmente não vi filme algum, pois estava em viagem de prazer por Natal. Quem se interessar por crônicas, venho publicando uma série delas sobre essa viagem no meu outro blog, o Obscenum. De volta às atividades, vamos aos filmes dessa semana.

Em Frenesi, assassinatos assolam Londres
Um Fellini que vinha me escapando algum tempo e que consegui ver em casa, E La Nave Va, de 1983, é cheio de referências ao próprio cinema e sua evolução técnica ao longo do tempo. Sua trama, passada às vésperas da Primeira Guerra Mundial, se concentra nos personagens ilustres que viajam em um navio para a realização do funeral de uma grande cantora de ópera. Fellini destila seu humor crítico para a afetação da alta sociedade e confronta a todos quando numa noite o capitão do navio recolhe um grupo de refugiados sérvios que estavam à deriva. O filme passeia entre o tom documental, logo revelado como farsesco, ao surreal.

Em cartaz nos cinemas, Quebrando o Tabu, de Fernando Grostein Andrade, é um documentário que tenta jogar luz à questão da descriminalização da maconha. Conduzido pela figura do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o filme faz uma colagem de entrevistas, declarações e dados estatísticos sobre consumo, combate e problema das drogas ao redor do mundo. Embora apresente informações e análises interessantes, que dimensionam a problemática das drogas e algumas alternativas para seu combate ou diminuição dos danos sociais, o filme se perde sem uma linha clara de defesa.  Ao apresentar um painel multifocal de alternativas, perde seu foco e não desenvolve qualquer teoria, nem deixa claro o que sustenta ou não sua narrativa. Não deixa, contudo, de ser uma experiência interessante e um meio válido para conhecer um pouco melhor e de diferentes ângulos um problema grave de nossa sociedade.

Em cabine para imprensa, vi Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo, novo filme de Hugo Carvana que estreia dia 5 de agosto. É uma comédia protagonizada por Tarcísio Meira e Gregório Duduvier. Falarei mais dela próximo de seu lançamento.

Gainsbourg compõe para Brigitte Bardot
Na Mostra Hitchcock, pude conferir mais um ótimo filme do mestre. Frenesi, de 1973, não está entre seus melhores, mas ainda assim carrega a marca, o humor e o talento desse grande diretor. A trama envolve um serial killer que atua em Londres e tem como marca registrada estrangular suas vítimas com uma gravata. Quando todas as evidências incriminam o inocente Richard (Jon finch), ele se verá obrigado a fugir da polícia, mas uma novas morte o incriminará mais ainda.

Estreou, nesse final de semana, Estranhos Normais, sobre o qual já escrevi aqui. É uma divertida comédia italiana que brinca com a metalinguagem para extrair a normalidade de dentro da estranheza. Apresenta um quadro de personagens peculiares que ao se relacionarem encontrarão novos significados para suas vidas. Embora seu início pareça confuso e atravanque um pouco a narrativa, seu desenrolar flui melhor, depois que compreendemos seu verdadeiro dispositivo. Uma vez fisgados pelo enredo, nos entregamos à diversão e aos personagens.

Revi com a Fernanda, Meia-Noite em Paris, de Wood Allen. O filme cresceu muito na revisão e divertiu muito mais. Francamente não vejo problema na emulação que os atores dos filmes de Allen fazem do próprio Allen ator. Não há segredo que a maioria desses personagens são alter egos do diretor. Por isso talvez eu tenha gostado tanto da atuação de Owen Wilson, que considero um ator não apenas fraco, como irritante. Mas nesse filme ele está ótimo e encarna muito bem a problemática do universo de Wood Allen.

FHC e Dr. Dráuzio Varella em Quebrando o Tabu
Por fim, assisti Gainsbourg – O Homem que Amava as Mulheres, que deve estrear no próximo final de semana. Trata-se de uma visão declaradamente não-realista da vida do polêmico compositor francês Serge Gainsbourg. Gostei muito do filme, que tem uma fotografia excelente e, como não poderia deixar de ser, uma trilha sonora ótima. Destaque para a entrada na história de Brigitte Bardot (interpretada pela modelo Laetitia Casta), a cena, para mim, já é antológica. Falarei mais do filme na semana. Mas fica desde já a dica de estreia na próxima sexta.
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sábado, julho 02, 2011

Estranhos Normais



Happy Family
Gabriele Salvatores
Itália, 2010
90 min.

Vincenzo, personagem de Fabrizio Bentivoglio na comédia “Estranhos Normais” - que estreou na última sexta (01) -, é um escritor que, como diz o velho axioma de um blog jornalístico-literário, não tem nenhum compromisso com a realidade. Essa indisposição com o real é o dispositivo fundamental do filme, montado através de uma metalinguagem que às vezes desnorteia. Contudo, é pela desconstrução da verossimilhança, pontuado por personagens estranhos, que o filme revelará a normalidade.

Dirigido por Gabriele Salvatores, o filme nos apresenta Vincenzo como um homem que, após ser abandonado pela namorada, decide escrever um roteiro para um filme. Um roteiro autoral. Através de seu notebook, vai esboçando os personagens desse filme no qual ele também é personagem. São duas famílias cujos filhos de 16 anos decidem se casar, o que gera conflitos e leva os personagens a se apresentarem para a câmera, como já havia feito o próprio Vincenzo no início do filme.

Em cada apresentação vamos conhecendo a peculiaridade de cada um e como essa peculiaridade o torna estranho para o mundo ou para sua própria família. Temos o adolescente que age como homem maduro, o pai que age como adolescente, a filha que acha que cheira mal por ser ruiva, a mãe preocupada com o próprio casamento, o marido que descobre estar com uma doença terminal.

Levados pelo despautério de casamento dos adolescentes e por um pequeno acidente, todos vão se cruzar num jantar e passarão a estabelecer laços de amizade, antipatia ou romance.

Não nos deixando esquecer que são todos personagens de seu roteiro, Vincenzo interfere pontualmente na narrativa, quebrando a fantasia e fragmentando as emoções, como se nos avisasse que a realidade não comporta toda aquela ficção e estranheza. Reforça sua perspectiva ficcional e desconstrói a relação autor/personagem ao interagir, fora do ambiente da ficção, com seus personagens, que cobram dele um melhor destino ou desenvolvimento.

Esse diálogo metalinguístico entre criador e criaturas desnuda a relação difícil de um escritor com seus personagens, mas também revela que a estranheza da vida é inata à sua normalidade.

Retomando a história de seus personagens a fim de arrematar a narrativa, Vincenzo (Salvatores?) busca uma amarração para todos. Nessa trajetória, manipula emoções com um romance enfeitado de clichês, reflete sobre a vida e a morte em uma viagem com ares quase metafísicos e condensa seu desfecho com a normalidade presente no estranho de cada indivíduo. A vida só é normal quando é estranha.

Com “Estranhos Normais”, Salvatores cria com suficiente graça cômica uma narrativa que só engrena depois que compreendemos e aceitamos seu dispositivo metalinguístico. Passada a estranheza inicial, embarcamos na fragmentada metáfora da vida e do absurdo, seduzidos por personagens que podem parecer distantes de nós num primeiro momento, mas que o filme, com competência e também artifícios, aproxima de nós. No final, se torna uma experiência prazerosa, divertida e estranha. Como a vida. Também ela sem qualquer compromisso com a realidade.
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sexta-feira, julho 01, 2011

Balanço Geral... do Semestre



Numa dessas casualidades estranhas, completei 100 filmes vistos este ano exatamente na virada do semestre. O centésimo, como cereja do bolo, foi um Hitchcock em película. Com essas coincidências, resolvi fazer um balanço desse semestre. Lembrando que na conta entram todos os filmes que vi ou revi esse ano, misturando clássicos como “Hiroshima, Meu Amor”, com porcarias como “O Vidente”.

Alguns dados são sintomáticos. Talvez o maior deles seja o fato de em todo esse semestre ter tido apenas uma pessoa como companhia de filmes: a Fernanda. Juntos, vimos 25 filmes. Todos os outros 75 vi sozinho. Nada demais. Vou ao cinema sozinho desde que tinha 14 anos e isso em nada diminui meu prazer ou entusiasmo. A cinefilia, como a leitura e a bronha, são exercícios quase sempre solitários.

No total geral, o local em que mais vi filmes foi em minha casa mesmo (34), seguido da casa da Fernanda (19). Nos cinemas, a sala que mais frequentei foram as do Espaço Unibanco de Cinema (12), seguida pela Reserva Cultural (8). O restante se pulveriza entre salas ótimas, como a do Cinesesc, e estranhas, como a do Museu Lasar Segall.

No quesito cotações, acho que dei sorte ou fui muito benevolente. Com cotações que variam de 1 a 5, a que mais saiu foi a cotação 3, dada a 41 filmes. Em seguida vem a cotação 4, que foi dada a 34 filmes. A cotação máxima foi para apenas 6 filmes. Mas só dois eram lançamentos recentes (“Vincere”, do Marco Bellochio, e “Incêndios”, do Denis Villeneuve), os outros eram clássicos como “Profissão: Repórter”, do Antonioni, ou “A Noite Americana”, do Truffaut. A pior cotação foi dada para apenas 4 filmes. Desses, três são brasileiros.

Agora é ver como fica o segundo semestre.

quarta-feira, junho 29, 2011

A Casa



La Casa Muda
Gustavo Hernández
Uruguai, 2010
86 min.

O corte e a montagem, duas partes fundamentais da linguagem do cinema, formam uma estrutura que aprendemos a ver com naturalidade. Pensados, contudo, do ponto de vista do olhar humano, são absolutamente estranhos. Nada menos natural que um corte. Não vemos de forma editada. Nosso olhar é sempre um plano sequência, desde a hora que acordamos até o momento que dormimos. Por isso um filme, todo ele em plano sequência, como “A Casa”, que estreou na última sexta (24), é sempre uma experiência interessante. Especialmente por ser um filme de terror.

Naturalmente, trata-se de um artifício. Como foi artifício um dos filmes mais citados quando se fala de plano sequência. “Festim Diabólico” (...), de Alfred Hitchcock, emulava um filme sem cortes. Apenas emulava. Os cortes estavam elegantemente disfarçados em aproximações de paredes, passagem de personagens diante da câmera e outros efeitos sutis. Um artifício que buscava intensificar a experiência cinematográfica através de uma continuidade do olhar.

Em “A Casa”, a intenção é a mesma. No lugar do suspense do mestre Hitchcock, o terror de uma situação com tons sobrenaturais. Laura e seu pai são contratados por um amigo da família para recuperar o entorno de uma casa isolada numa propriedade distante. A casa está em péssimo estado de conservação e sem luz elétrica. Para o trabalho, pai e filha terão de passar a noite no local. Incomodada por estranhos ruídos em outros cômodos, Laura acorda seu pai, que vai investigar. Mas ele não regressa. A partir de então, coisas estranhas começam a acontecer e Laura se vê presa num pesadelo que piora à medida que cada cômodo da casa vai se revelando para ela.

A experiência desse terror sem cortes é bastante eficaz no início. A construção do medo, embora apoiada em alguns recursos desgastados do gênero (ruídos estranhos, a possível presença de outra pessoa na casa, situações que remetem a crianças mortas) funciona bem. Parte desse êxito está no modo como a câmera, mesmo não assumindo a posição de primeira pessoa, nos passa a perspectiva de Laura. Aqui, a câmera age como um olhar compartilhado. Sabemos tanto quanto Laura do que se passa naquela casa e os sustos e a tensão criada passa dela para o expectador com bastante eficácia.

No entanto, a partir de certo ponto do filme, quase de forma involuntário, surge um distanciamento dessa simbiose entre o olhar da câmera e o de Laura. Isso acontece quando rompe-se a cumplicidade que temos com a personagem e é desencadeada pelo seu comportamento estranho. Quando ela passa a se preocupar mais em ver do que fugir, cria-se um distanciamento pela inverossimilhança. A empatia necessária para embarcar no terror é desfeita quando o personagem age de forma contrária ao que se espera de alguém numa situação de estranhos e aterradores acontecimentos.

No final da história, quando tudo se revelar, o comportamento de Laura será explicado, ou, pelo menos, justificado. Mas aí o estrago já estará feito. O que o diretor Gustavo Hernández não percebeu é que o roteiro, em sua necessidade de amarrar os acontecimentos e explicá-los, acabou por prejudicar a continuidade da situação de medo e tensão. A mudança no comportamento de Laura, ainda que sutil, cria no espectador uma interrogação que quebra a linha do medo. Quando isso acontece, o plano sequência, que vinha funcionando muito bem, perde seu efeito e o filme se torna comum.

Apesar desses equívocos, “A Casa” merece ser visitada pelo público. Mesmo que não alcance todo o potencial de terror que poderia, ainda assim é um filme bastante bom no quesito medo. A experiência de confinamento, claustrofobia e aflição diante do inexplicável é intensa. Ainda que o desfecho possa não agradar alguns, o virtuosismo técnico e o risco de se fazer um filme sem cortes valem a experiência de se sentir o resultado final.
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domingo, junho 26, 2011

Mostras e Pecados



Em seu blog, o Inácio Araújo elogiou o catálogo da Mostra Hitchcock. No final, faz uma observação, não uma crítica.

É nesses termos que falo de pecados do Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo. É um pecado que mostras como a de Hitchcock, em exibição, e John Ford, ano passado, sejam exibidas em uma sala de apenas 70 lugares. É pecado que, por conta disso, os ingressos para todas as sessões do dia se esgotem poucas horas após o início da venda. É pecado que catálogos como o da mostra John Ford se esgotem tão cedo. É pecado que para conseguir o catálogo da mostra Hitchcock seja preciso juntar dez ingressos (quem, economica e sexualmente ativo, tem tempo de ver dez sessões num curto espaço de tempo a ponto de conseguir seu catálogo antes que ele esgote, consumido por aqueles que não precisam pagar contas - ou as têm pagas pelo governo?).

É pecado, acima de tudo, que uma instituição tenha uma excelência incontestável na qualidade de sua programação e na acessibilidade do preço cobrado para usufruí-la, e que, paradoxalmente, por questões quase borgianas, restrinja o acesso de forma quase inexorável.

Como disse o Inácio, não é uma crítica. Apenas uma observação.
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quinta-feira, junho 23, 2011

Potiche - Esposa Troféu



 Potiche
François Ozon
França, 2010
103 min.

“Potiche”, que estreia nessa sexta (24), é o que se pode chamar de uma comédia crítica. Através de uma ironia sutil e do inesgotável charme de Catherine Deneuve, o filme mostra a ascensão de sua protagonista de mero “ornamento” do lar para uma líder carismática.

Deneuve interpreta Suzanne Pujol, uma esposa exemplar a serviço de seu marido, Robert Pujol (Fabrice Luchini). Suzanne ocupa seu dia com exercícios matinais, cuidados com a casa e com pequenos poemas que escreve sebre as coisas triviais. Seu marido cuida da empresa da família, fundada pelo pai de Suzanne. Uma fábrica de guarda-chuvas que ele comanda com dura mão capitalista.

A história se passa em 1977 e Suzanne representa a típica conformação de uma esposa que tolera as grosserias do marido, bem como sua indiferença e seus casos extraconjugais. Com dois filhos já crescidos, ela não parece ambicionar qualquer coisa e não se incomoda com sua função meramente ornamental. A sequência que abre o filme, na qual Suzanne pratica cooper de agasalho e cabelos enrolados não é apenas rica em ironia, é também sintomática de uma época e do pensamento de uma época.

As coisas começam a mudar quando uma greve paralisa a fábrica da família. Irredutível, Robert se recusa a atender às revindicações dos funcionários ou a ouvir a opinião de seus filhos e esposa. Para resolver o conflito, Suzanne toma uma atitude e pede ajuda ao Maurice Babin (Gérard Depardieu), um deputado trabalhista, desafeto de seu marido, com quem ela teve um caso na juventude.

Diante do impasse dos trabalhadores, da intervenção do deputado e de denúncias de sonegação, Robert sofre um princípio de enfarte, tendo de ser afastado da direção da empresa. Com os filhos se negando a assumirem os negócios, restará a Suzanne, diante do riso debochado de todos, assumir o comando.

Dirigido pelo profícuo François Ozon, o filme se mostra competente no desenvolvimento cômico das situações, com um bom timing para fazer rir. Consegue ser engraçado ao mesmo tempo que desenvolve com sutileza uma bem arquitetada parábola sobre a emancipação da mulher. Suzanne, de quem todos duvidaram, ascende cada vez mais como uma negociadora justa e firme, além de competente administradora. Isso graças à sua desenvoltura, delicadeza e humanidade.

O filme trabalha esse “despertar” de Suzanne, que se descobre capaz de administrar uma grande empresa e gerenciar conflitos sem perder sua sensibilidade. Para emancipar-se, ela não precisa se transformar, nem usar de cinismos. A cena que melhor simboliza isso é quando ela se veste para uma reunião com uma comissão de operários em greve. Ao vestir-se de forma elegante, inclusive usando joias, para falar com a classe trabalhadora, ela mantém sua autenticidade. Age de forma ousada dentro de uma ingenuidade na qual se preserva sua franqueza e seu caráter.

A narrativa reserva boas surpresas e momentos divertidos. Catherine Deneuve e Gérard Depardieu dançando em uma discoteca é algo que não se vê todo dia no cinema. Ozon, muito antenado, aproveita o histórico dos dois atores, que já trabalharam juntos em outros filmes, para construir um caso no passado de seus personagens. Desse modo, o diretor não apenas homenageia dois símbolos do cinema francês, mas se aproveita do imaginário que eles construíram como par romântico. Com astúcia, viabiliza seus personagens lançando mão desse imaginário pronto, se apoiando no carisma e na química entre Depardieu e Deneuve.

O resultado é uma ótima comédia temperada com crítica social. Se, num primeiro momento, o tema do filme pode parecer datado, ou o objeto de sua abordagem um assunto superado, basta um olhar mais atento na realidade e a observação em perspectiva do filme com o presente para se perceber que nem tanto. Talvez um filme ambientado em 1977 seja mais atual do que se imagine.
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segunda-feira, junho 20, 2011

"Cinema da Boca" trás obra de Fauzi Mansur

Projeto da prefeitura na Galeria Olido resgata filmes da Boca do Lixo.



O homenageado do mês no projeto “Cinema da Boca” é o diretor Fauzi Mansur. De 21 a 30 desse mês a Galeria Olido exibirá 15 filmes do diretor, alguns assinados pelo pseudônimo Waldir A. Kopezky, que o diretor usou em alguns filmes.

O projeto “Cinema da Boca” faz um resgate do que ficou conhecido como “Boca do Lixo”. Uma região no centro de São Paulo onde se aglutinavam pessoas ligadas a cinema e que produziam filmes independentes e transgressores, entre os anos 70 e 80.

Conhecido pelas pornochanchadas em filmes como “Mulheres Eróticas” e “Orgia das Taras”, os filmes de Mansur se caracterizam pela crítica social evidenciada através do erotismo. Na época, o diretor já transitava por gêneros como drama, comédia e policial.

Um de seus filmes mais emblemático é “A Noite do Desejo (Data Marcada para o Sexo)”, de 1973. O filme original teve mais de um terço de suas cenas censurado. Para não perder todo o trabalho, Fauzi teve que filmar novas cenas para cobrir as lacunas que as parte censuradas deixaram e dar ao filme um mínimo de coerência.

O resultado é considerado sua obra-prima e foi montado pelo hoje crítico de cinema da Folha de São Paulo, Inácio Araújo.
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Serviço:
Cinema da Boca: Fauzi Mansur
Galeria Olido. Av. São João, 473. Centro. 
Tel. 3331-8399 e 3397-0171.
De 21 a 30/06. +18 anos. R$ 1
Para a programação completa, clique aqui.

domingo, junho 19, 2011

Breviário da Semana Nº 04

Um breve semanário.



Estreia

Lobo
Wood Allen, profícuo, chega com Meia Noite em Paris aos cinemas de São Paulo. Uma história sem amarras na realidade que busca o passado para que nos satisfaçamos com o presente e façamos dele, ao menos em nossas vidas, algo melhor. Owen Wilson, de quem nunca gostei muito, me surpreendeu. E a tão falada participação da primeira dama da França, Carla Bruni, me passou despercebida, de tanto que eu estava envolvido na história. Vale muito a pena ver. A crítica completa do Eu, Cinema está aqui.


Em Cartaz

Dos filmes já em cartaz, não vi nada esta semana.


Mostras, Retrospectivas ou DVD

O Homem Errado
Na rapa de tacho do Festival Varilux de Cinema Francês, vi Lobo. Grande potencial épico desperdiçado pela ansiedade de fazê-lo grandioso e intimista ao mesmo tempo. A história de Serguei um jovem membro de uma das tribos nômades que criam renas nas montanhas da Sibéria Oriental. Em conflito com os lobos que atacam seus rebanhos, o rito de passagem para a vida adulta consiste em cuidar do rebanho durante um ano, matando qualquer lobo que apareça. Mas Serguei acaba por criar laços com um punhado de filhotes de loba e passa a ocultá-los dos demais membros da tribo. A montagem se alterna entre um tom grandioso, com amplas paisagens e trilha sonora imponente, e a proximidade de Serguei com os lobos. Não embala em ritmo algum e enfraquece o drama. Cansativo.

Em casa revi Um Corpo que Cai, de esquenta para a Mostra Alfred Hitchcock. Não há muito o que acrescentar ao tanto que já se disse sobre o filme que por muitos é considerado a obra-prima de Hitchcock. Mas em retrospecto liguei o clima do filme com obras que certamente foram influenciadas por ele e só agora faço a conexão. Uma delas são alguns episódios da série televisiva que lançou Bruce Willis ao estrelado, exibida no Brasil como A Gata e o Rato. Será que viajo? Mas certamente não viajo comparando com Dublê de Corpo, de Brian de Palma, que na verdade mistura o voyeurismo de Janela Indiscreta com a fobia e o mistério pincelado de tons sobrenaturais.

Já na Mostra Mundo Árabe de Cinema, vi Mascarados. Uma deliciosa, engraçada e também terna comédia. Girando em torno de desencontros entre um pai de família atrapalhado que quer casar a irmã caçula ainda solteira, seu desejo de uma vida melhor e a descoberta de um romance que desconhecia, o filme tem um ritmo excelente e atuações ótimas. Recomendo muito.

Mascarados
Adentrando a Mostra Hitchcock, vi O Homem Errado, com Henry Fonda. Uma história que tem sua força, lógico, na construção da aflição de ser acusado por um crime não cometido, mas que tem sua maior intensidade na atuação de Fonda. Seu olhar, suas expressões, seu silêncio passivo diante do absurdo são os pilares do filme. Foi só o começo dessa mostra que promete muita coisa boa ainda.
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